-

A saga de Oswaldo Aranha do Prêmio Nobel ao filé coberto de alho (que ele não gostava!)

Diplomata foi capa da revista Time antes da criar a famosa receita carioca

Da redação - Publicado em 19/06/2020, às 18h00

Oswaldo Aranha foi parar na capa principal revista dos EUA, depois de dar um show de diplomacia (e educação) ao presidir a conferência sul-americana que aprovou o rompimento de relações com o Eixo (Alemanha, Itália e Japão), em 1942.

Mais tarde presidiu a sessão da ONU na qual se definiu a criação do Estado de Israel e foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Para a turma da boa mesa, no entanto, o bisavô da chef Bel Coelho (Isabel Coelho Aranha) é o gênio por trás da criação do filé que leva o seu nome. A história é curiosa.

 

LEIA MAIS

» Mestre dos barris faz cachaça com gosto de coco, macã e baunilha

» Chefs colocam objetos pessoais e experiências em leilão para salvar restaurantes

 

O restaurante A Minhota ficava na rua São José, 72, no centro do Rio. Era um dos mais elegantes da então Capital federal, o primeiro do Brasil a ter ar-condicionado. Aranha, sujeito refinado, de gestual suave e português fascinante, era habituée da casa, onde era atendido pelo dono.

Waldemar Cardoso era igualmente fino e a relação amistosa com o embaixador permitiu que, num almoço qualquer, o cliente abandonasse o cardápio e pedisse um contrafilé mal passado (Aranha era gaúcho), na frigideira. E depois usasse a mesma panela, com o caldo de caldo que restava nela, para puxar o arroz com a farofa. As batatas portuguesas vinham por cima de tudo.

Não, não tinha alho na receita. Oswaldo Aranha odiava alho! Os dentes laminados e fritos foram parar sobre o filé depois que Waldemar, que os colocava em cima de tudo, fez a receita em casa e, um dia, resolveu comê-la no restaurante. Àquela altura, o prato já era admirado pelos admiradores do embaixador. E foi um sucesso imediato. Aprovado pelo dono da receita, que, sem artimanhas ou podres poderes, conduziu a vida e a carreira da forma mais democrática possível. Exemplo, como se vê, que vai muito além da mesa.

 

Filé Oswaldo Aranha

 

INGREDIENTES

- 310 g de filé mignon (2 medalhões)

- 150 g de farinha de mandioca

- 50 g de bacon cortado em cubinhos

- 100 g de alho em lâminas

- Azeite a gosto para a farofa

- Óleo de soja para fitar

- 2 batatas Asterix médias

 

PREPARO

(Farofa)

•Numa frigideira grande, frite o bacon até dourar com aproximadamente 2 colheres de sopa de azeite

•Acrescente a farinha, toste bem e acerte o sal. Reserve [alho frito]

•Numa panela pequena e funda, aqueça óleo de soja, suficiente para uma fritura por imersão

•Mergulhe o alho em lâminas no óleo não muito quente e mexa sempre até dourar levemente

•Escorra em papel absorvente e reserve

 

(Batatas portuguesa)

•Cozinhe as batatas, com a casca, até ficarem al dente

•Descasque-as e corte em rodelas de 0,5 cm. Deixe esfriar na geladeira

•Frite por imersão em óleo bem quente até dourar

 

(Filé)

•Tempere os medalhões com sal e pimenta preta moída e grelhe até o ponto desejado

 

(Montagem)

•Disponha os medalhões num prato, cubra com o alho frito

•Na frigideira usada para grelhar a carne, puxe o arroz e depois a farofa, com o suco que ficou no fundo

•Coloque os filés no prato, com as lâminas de alho sobre eles, ladeados pelo arroz e pela farofa. As batatas vão por cima de tudo

 

>Você sabia que a revista Sabor.club tem também o Clube Sabor.club? Ele é o 1º clube de descobertas gastronômicas do Brasil. Para conhecer, clique aqui.