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Que bela harmonia: mousse de chocolate com vinho do Porto

As principais safras do fortificado português nos inspira a fazer a sobremesa clássica em sua melhor versão

Da redação - Publicado em 25/03/2020, às 16h27

Mousse de chocolate com vinho do Porto

(4 porções)

INGREDIENTES

- 200 g de chocolate amargo (70% cacau)
- 6 claras
- 5 gemas
- 1 pitada de sal
- 3 colheres (de sopa) de água
- 3 col. de sopa de vinho do Porto


PREPARO

  • Bata as claras em neve com o sal até ficarem bem firmes. Reserve

  • Quebre o chocolate em pedacinhos, coloque em um recipiente, acrescente a água e leve ao forno de micro-ondas por 1 minuto, em potência mínima

  • Bata manualmente o chocolate derretido até que fique bem liso

  • Acrescente o vinho do Porto, e, em seguida, as gemas, mexendo bem

  • Coloque 1/3 das claras, misturando com delicadeza

  • Coloque o restante das claras, misturando levemente até incorporar

  • Mantenha em geladeira por pelo menos 4 horas

 

  • Krohn Embaixador Ruby - (AD: 88 pts)

Uma das mais tradicionais casas de vinho do porto, Krohn elabora este tinto fortificado doce a partir de Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional. Apresenta cor vermelho-rubi de reflexos violáceos e aromas agradáveis de frutas vermelhas e negras maduras, bem como notas florais e de especiarias doces. Honesto e agradável de beber, mostra bom equilíbrio entre acidez e doçura, é suculento e tem média persistência. Ideal para finalizar um refeição ou para acompanhar sobremesas à base de ovos. Consistente, é uma boa iniciação para o mundo dos vinhos do porto. Álcool 19% . Compre aqui.

 

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Não é possível desvincular as origens do Vinho do Porto da Inglaterra. Esse clássico vinho português talvez nunca tivesse sequer surgido se não fosse pelo comércio com os ingleses. Foi graças ao acirramento das disputas entre França e Inglaterra que os ingleses passaram a buscar alternativas aos vinhos que comprava da primeira. Os vinhos mais encorpados, da região do Douro, vinham de barco até o Porto, onde geralmente eram “fortificados” (recebiam aguardente vínica) para aguentar a viagem até a ilha britânica. Assim, os primeiros registros com o nome Vinho do Porto são de 1678. 

Com o tempo, os comerciantes perceberam que seus consumidores apreciavam os vinhos que eram fortificados antes de a fermentação acabar, ou seja, que continham ainda um pouco de açúcar residual. Essa prática tornou-se comum no século XIX. Como, na época, era costume não só em Portugal, mas no mundo, esses vinhos tendiam a ser de blends de safras. Acredita-se que os primeiros Vintages – ou seja, um vinho produzido com uvas de um único ano – sejam de meados do século XVIII. Em seu site, o Instituto do Vinho do Porto e do Douro cita a safra 1756, por exemplo. 

Desde então, quando há anos realmente excepcionais no Douro, os produtores “declaram” Vintage. Não é exatamente uma declaração conjunta, mas, geralmente, quando vários produtores julgam que a safra foi realmente clássica, boa parte decide engarrafar seus Portos daquele ano separadamente. Como há variações climáticas ao longo da região, as declarações não são unânimes, portanto, há anos menos célebres em que alguns produtores decidem fazer Vintages, assim como em anos “consagrados” há quem não faça, pois sua área de produção não foi tão favorecida. 

Para facilitar a vida dos consumidores e apreciadores de Vinho do Porto, ADEGA decidiu fazer uma lista com as principais safras de Vinho do Porto dos últimos 50 anos. Confira a seguir os Vintages consagrados desde 1970. 

 

  • 1970 

O ano foi de grande qualidade ao longo do Douro quase que por completo, tanto que quase todas as casas declararam Vintage. As precipitações foram intensas e acima da média no começo do ano, mas a primavera foi seca. Houve preocupação com as chuvas perto da vindima, mas o tempo novamente se tornou seco e quente, com algumas ondas de calor bem intensas. No fim, formou-se uma ótima safra, com vinhos de grande longevidade. 

 

  • 1975 

Este foi o primeiro Vintage após a famosa Revolução dos Cravos, em abril de 1974, Portugal. A partir de então, todos os vinhos passaram a ser obrigatoriamente engarrafados no país por determinação legal. A safra, em geral, foi muito boa, de um ano quente e seco no verão, mas com chuvas acontecendo pouco antes da colheita. Ainda assim, a maioria das vinícolas declararam. Muitos consideram 1975 um Vintage mais “fraco”, com vinhos mais ligeiros e menos longevos, mas atualmente alguns têm mostrado uma face elegante daquela safra. 

 

  • 1977 

A região viu três anos de seca consecutivos e, portanto, quando a chuva abundante veio, especialmente no inverno (um dos mais úmidos dos registros do Douro), isso alegrou os produtores. Foi uma temporada marcada por floração tardia e maturação lenta das uvas. Setembro, quando a colheita começou, foi extremamente quente. O resultado foi excepcional e quase todos declararam Vintage com vinhos muito encorpados e longevos. Vários vinhedos únicos (single quinta) também declaram neste ano. 

 

  • 1980 

Diferentemente dos Vintage anteriores, este foi marcado por um inverno seco, um dos mais secos até então. Houve dificuldade na floração, com chuvas e frio, mas um verão quente e seco colaborou para que as condições fossem propícias. Houve grande qualidade, mas os rendimentos foram baixos. A maioria das empresas declarou Vintage, com vinhos de muita cor e corpo. 

 

  • 1983 

O ano anterior, 1982, não havia sido ruim, apesar de algumas dificuldades, tanto que muitas empresas declararam Vintage, no entanto, 1983 pareceu ainda mais promissor. Houve muito frio (e até neve) no inverno. A floração novamente foi prejudicada. O ano, como um todo, foi bastante frio, o que marcou a safra, apesar do verão quente. Como optaram por declaram o ano anterior, alguns não declararam 1983, apesar de ele ter sido considerado melhor, com vinhos muito longevos, aromáticos e elegantes. 

 

  • 1985 

Inverno frio e chuvoso mais uma vez. Mas com temperaturas mais elevadas ao final. O clima colaborou sobremaneira durante o restante da temporada, chegando-se a condições de colheita consideradas quase perfeitas pela maioria dos produtores. Tanto que a declaração foi quase unânime. Os vinhos são excepcionais, com muita fruta e estrutura em um ano hors-concours. 

 

  • 1994 

Os anos de 1987, 1989, 1991 e 1992 viram algumas casas declararem Vintage em safras que, para algumas delas, foram muito boas, mas, para outras, nem tanto. Contudo, quando chegou 1994, o cenário foi muito mais favorável em amplo espectro. O inverno foi extremamente chuvoso e, por isso, os rendimentos foram mais baixos. Em algumas áreas, os níveis de produção foram 75% menores em relação à média. Apesar do início fraco, a época de crescimento foi satisfatória, com tempo quente e seco, apenas interrompido por poucos e curtos períodos de chuva. Isso resultou em vinhos tidos como “monumentais” e houve uma declaração geral de Vintage. 

 

  • 1997 

A década de 1990 não foi das mais interessantes para o Vinho do Porto. Excetuando o incrível 1994, houve outras safras bastante boas, em que ocorreram declarações de Vintage, mas não de maneira generalizada. A temporada de 1997 foi uma delas. Um ano tido como atípico com inverno relativamente quente. Temperaturas mais elevadas do que o normal anteciparam os ciclos e a colheita também se deu em tempo muito quente. O resultado foram vinhos muito ricos. 

 

  • 2000 

A virada do milênio trouxe alguns bons Portos, mas não de maneira geral, tanto que não houve consenso entre as casas na declaração. Novamente, o inverno foi seco e o fim da estação foi quente, com chuva na primavera. A seca voltou a pairar no verão e as temperaturas subiram muito. A maturação foi bastante lenta. Os vinhos resultantes foram muito encorpados, com intensa cor e aromas muito atrativos. 

 

  • 2003 

Para muitos, 2003 foi uma safra clássica de Porto Vintage. Houve declarações de forma quase generalizada. A temporada foi marcada por um inverno chuvoso. A época da floração foi muito positiva, dando muita esperança aos produtores. O verão quente e seco completou o cenário de uma grande safra, apesar das temperaturas excessivamente altas. Foram feitos vinhos de muito corpo, no estilo “blockbuster” e grande qualidade. 

 

  • 2007 

Um ano verdadeiramente notável, que, segundo o Instituto do Vinho do Porto, foi a maior declaração Vintage da história. Depois de quatro anos quentes e secos, a chuva voltou a cair no inverno. As temperaturas de primavera e verão foram abaixo da média, sem picos importantes de calor. As condições de tempo quente e seco permitiram a perfeita maturação, com excelente acidez natural graças a um verão relativamente fresco. Isso se traduziu em vinhos elegantes, cheios de vitalidade e com um caráter de fruta concentrado e fresco. 

 

  • 2011 

A temporada marcou mais um ano espetacular no Douro e fez com que houvesse uma declaração generalizada de Vintage. Novamente, o inverno foi chuvoso e frio, o mais frio dos últimos 30 anos. Seguido por primavera quente e seca. Setembro, época da colheita, começou com temperatura amena, mas registrou picos acima da média. Os vinhos resultantes foram profundos, com aromas intensos, muita estrutura e certa elegância. aSão vinhos de caráter clássico dos Vintage com ótimo potencial de guarda. 

 

  • 2016 

Uma temporada tida como regular que, no fim, mostrou-se excelente. A primavera foi bastante úmida, com chuvas fortes e condições relativamente frias, o que provocou redução significativa nos rendimentos e atraso na maturação. Seguiu-se um verão quente, tornando a maturação uniforme e gradual. Os produtores que atrasaram a vindima até depois das chuvas foram recompensados com uvas em perfeitas condições. São vinhos aromáticos e equilibrados. Diversas empresas declararam Vintage. 

 

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