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No dia de São João, nosso Quentão segue as palavras do imortal Antônio Houaiss

Diplomata, filólogo e estudioso da cultura brasileira deixou livro importante de receitas

Pedro Landim - Publicado em 24/06/2020, às 15h32

Neste dia de São João, saudamos a nossa cultura visitando livro Magia da Cozinha Brasileira, obra de grande interesse publicada em 1979 por Antônio Houaiss (1915-1999), filólogo, diplomata, imortal na Academia Brasileira de Letras e gastrônomo de primeira linha.

Houaiss, com sua erudição e humor fino, escreve e comenta receitas de todas as regiões do país, como o Quentão que aqui apresentamos, um clássico dos festejos juninos.

Ouçamos as palavras de um dos grandes intelectuais que deixaram contribuições empolgantes em áreas distintas.

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"Toda cultura, por menos elaborada que seja (real ou aparentemente) tem, ademais da água, suas bebidas: não há, até hoje, que se saiba, povo que não tivesse atingido uma fórmula de bebida alcoólica ao entrar na história ou História.

Aqui, queremos comer, bebendo, mas para honrar o que se come: é que, talvez, só na França se tenha atingido o requinte de buscar os pratos que possam estar à altura de determinado vinho; normalmente, come-se e, acessoriamente, bebe-se: de beber sem comer aqui não se cogita", escreve Houaiss na introdução do capítulos de bebidas.

A nos apresenta o Quentão:

"Fundamental: aquecer bem 10 xícaras  de água com 20 de cachaça, 3 limões cortados em redelas com casca, 5 cravos,da-índia, 1/2 xícara de gengibre cortado miudinho, 3 a 5 paus pequeninos de canela, 1 (apenas) grão inteirinho de pimenta-do-reino e açúcar a gosto: quanto menos açúcar, mais "macho" o quentão e menos demolidor; quanto mais açúcar, mais "feminino" e mais demolidor.

Imaginário: pode-se juntar, a gosto, um favinho de mel com cera, umas gotas de baunilha, umas folhas de chá, ou um pouco de mate queimado, umas gotas de maracujá, ou de suco de laranja ou de lima ou de abacaxi.

Essencial: manter ao fogo, sempre bem quente (não deve ferver) - renovando de vez em quando - mas parcimoniosamente - a cachaça, que se volatiliza rápido demais (para alguns...)". 

 

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