Aos meus avós: a dedicatória que abre o livro da jornalista Mariana Weber diz muito sobre a maneira de como devemos voltar à cozinha -

Aos meus avós: a dedicatória que abre o livro da jornalista Mariana Weber diz muito sobre a maneira de como devemos voltar à cozinha

Mariana Weber lança livro de receitas

A jornalista lança o livro Cozinha de vó, resgatando sabores do passado

Da redação - Publicado em 04/12/2018, às 15h00

Faz todo sentido. Mariana, no entanto, cresceu comendo receitas gostosas que vinham do caderno que a professora de um, dois, três filhos, não dava muita bola, sabe-se, devido à dura rotina do dia a dia. Até que Marianinha percebeu, como diz, que havia um certo mistério sobre a própria mãe, por trás daquelas folhas pautadas. Desde as sobremesas, que ela nunca tinha visto, até gostos experimentados por ela na fazenda, que aparecia em tantas histórias.

A curiosidade (claro, se tornaria jornalista) a fez mergulhar naquelas páginas e passar tudo a limpo, com índice e tudo, assim como estavam escritos lá. Ao que percebemos lendo a introdução do livro, de onde vem essa história e tantas palavras e expressões escritas pela autora, a obra nasce ali. Assim como a paixão pela cozinha, que fez Mariana refazer os pratos que lhe traziam memórias. Sabe o que ela descobriu? Que as receitas também contam histórias, algumas de pessoas que estão tão perto da gente e não temos “tempo” de olhar para o lado. Ou de pensar que, sim, há algo mais por trás do gosto acolhedor daquele bolo de limão que comemos desde sempre.

A essência de Cozinha de Vó é essa. Por isso, Mariana não aborda apenas os preparos da sua avó, mas das avós de um monte de gente, incluindo alguns chefs de cozinha como o Felipe Zanuto, ou o genial caiçara Eudes Assis.

Enfim, a obra é deliciosa, com poesia, história (bem fundamentada, com muita pesquisa), toques antropológicos (bons-para-fazer-pensar-por-quenem-só-de-comida-vive-o-homem, não é mesmo?) e, claro, receitas (que não dão o peixe, mas ensinam a pescar). Além de inúmeras dicas de cozinha que, invariavelmente, farão o leitor cozinhar melhor. Porque, como diz a autora, cozinhar é preciso: dá autonomia, capacidade de escolha, liberdade.

Para pensar na mesa

A autora propõe uma boa reflexão sobre o movimento que agora grita nas nossas cozinhas

[Colocar Alt]

Vale a pena entregar a nossa alimentação em mãos alheias? “Fazer a própria comida nos permite tomar decisões mais conscientes. Eu escolho se coloco muito, pouco ou nenhum açúcar no meu suco. De onde e de quem quero comprar ingredientes. A verdade é que a gente não precisa complicar. Fazer massa com molho de tomate é quase tão fácil quanto preparar um macarrão instantâneo com tempero em pó”.

 

Este texto foi publicado originalmente na revista Sabor.club #22 que está na melhores bancas por todo Brasil. E também na banca digital www.zinio.com.Ou assine clicando aqui sabor.club/assine

Leia também