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Maria Fernanda di Giacobbe muda a Venezuela com chocolate

Capacitando mulheres de baixa renda, ela aposta no cacau como símbolo de identidade nacional e ganha prêmios internacionais

Da redação - Publicado em 25/05/2021, às 18h00

Em 2002, a chef venezuelana Maria Fernanda di Giacobbe tinha nove restaurantes em Caracas. Restou apenas um. Nos últimos anos, ela viu seu país mergulhar numa espiral descendente, com a economia em colapso e os direitos civis cada vez mais ameaçados.

“Vivi uns dez anos lutando na rua contra o governo”, conta a chef, que esteve no Brasil durante o evento Brazil Bean to Bar Chocolate Week, promovido pela Associação Bean to Bar Brasil. “Agora, penso que o chocolate é uma maneira mais positiva de mudar o país. 

Aos 55 anos, Maria Fernanda aposta no cacau como símbolo de identidade nacional para levantar e unir uma Venezuela fragmentada. Em 2016, ela venceu a primeira edição do Basque Culinary World Prize, prêmio dado a chefs que se destacam por seu trabalho social.

A venezuelana é criadora de um projeto que capacita pessoas de baixa renda – mulheres, em sua maioria – para a produção de cacau e chocolate. A iniciativa, que começou com Maria Fernanda percorrendo comunidades a bordo de sua caminhonete, dando aulas a pequenos grupos, já certificou oficialmente cerca de 8 mil pessoas – mas estima-se que o alcance real seja muito maior, já que os alunos se tornam multiplicadores do conhecimento adquirido.

 

 

Hoje, o projeto conta com duas escolas, a Cacao de Origen, em Caracas, e a Río Cacao, na cidade de Río Caribe. Nos próximos dois anos, deverão ser abertas mais sete escolas, com o apoio da Comunidade Europeia e da Associação das Câmaras de Comércio Europeias. As aulas abordam desde a análise das amêndoas de cacau e a fabricação de barras até dicas de empreendedorismo e comercialização dos produtos.  

 

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Em suas viagens para participar de conferências e palestras, Maria Fernanda carrega amostras de chocolate artesanal venezuelano. Muitas barras foram produzidas por ex-alunos seus. Esses eventos são uma das raras oportunidades de comprar essas marcas, já que elas não são exportadas. “Você pode exportar, mas tem que se corromper. E eu não quero”, diz a chef. “Quando venho para o Brasil, trago amostras do que fazemos na Venezuela. Quando vou para a França ou Tóquio, tenho amigos que vendem meus produtos. Mas é só o que posso carregar nas mãos.”

 

 

Os produtores locais de chocolate formam uma rede que se ajuda mutuamente. Quando alguém consegue açúcar, por exemplo, chama os outros, conta Maria Fernanda. Apesar de tudo, ela não pensa em deixar a terra natal –  ama o clima, as pessoas, a diversidade do país. “Sou como um pé de cacau, não posso sair da Venezuela.”  

 

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