- Marcus Steinmeyer

Marcus Steinmeyer

Sabor.club #16 traz Jefferson Rueda

O chef da Casa do Porco conta como foi colocar a carne suína em evidência no coração de São Paulo

Robert Halfoun - Publicado em 09/04/2018, às 11h38

HÁ DOIS MOTIVOS PELOS QUAIS UM homenzarrão do tamanho do Jefferson Rueda é chamado de Jeffinho (Jeffin’, como ele mesmo fala): o carinho que tanta gente tem por ele e o jeitin’ como ele lida com tudo e todos. Ele tem aquele temperamento caipira, meio maroto, que vai comendo o mingau pelas beiradas até conseguir o que quer. E normalmente consegue.

Outubro de 2015, auge da nossa crise econômica. Jefferson abre, em pleno centro de São Paulo, num ponto cercado de putas e traficantes, um restaurante festivo, com uma única opção no cardápio: porco. Acham que está louco. Não está. Na verdade, vê o que ninguém mais enxerga.

Com boas iniciativas, o agonizante centrão da Paulicéia, sim, pode voltar a respirar. Uma delas, vinda do chef, é entregar algo mais acessível, para tanta gente que já adora o trabalho dele, incluindo quem só ouvira falar da sua comida. Melhor ainda, dentro de uma proposta facílima de entender.Nasce a Casa do Porco, um sucesso retumbante.


Abril de 2018, dois anos e seis meses depois, é quase meio-dia, e eu converso com o Jefferson, dentro da Casa do Porco, ainda fechada. Vai abrir em minutos. E quando abre, é invadida por gente de todo canto, de todo credo, de todo jeito. As mesas são ocupadas em instantes. É assim desde a inauguração. Viu, só? Jeffin’ conseguiu o que queria. Agora, depois de mudar o pensamento sobre a carne suína no Brasil e valorizá-la como nunca antes, está dedicado a realmente democratizar a boa alimentação no país.


Ele começou pela janela do Porco, como diz, um cantinho virado para fora do restaurante, no
qual vende sanduíches, para quem passa pela calçada. Há fila lá também. Tem executivo, mãe de família, porteiro, motoboy, contínuo, turista. Todo mundo misturado. “O meu lanche custa R$ 16, ao meu redor custa R$ 8, custa R$ 10. Aí, o sujeito passa, vê a fila e desconfia que deve ser bom.

Quando sobra um dinheirinho, ele vêm. Come e percebe que não dá para comparar com os outros. Ninguém precisa ficar com ladainha. Muitas vezes, já acontece, o cara deixa de comer todo dia nos podrões, para comer três aqui. É uma opção.” Depois, essa mentalidade, diz Jefferson, vai valer para tudo o que ele põe na boca. Naturalmente, começa a fazer escolhas com mais critério – “que merda isso aqui, hein?”. “A gente tem que dar a referência. Então a indústria, a agricultura e a pecuária começarão a entregar produtos melhores.” As transformações, sabemos, não acontecem de uma hora para a outra. Mas precisam começar com alguém, em algum lugar. 


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