Grandes chefs vão para o campo promover a agricultura -

Grandes chefs vão para o campo promover a agricultura

Projeto une chefs a agricultores para desenvolver produtos e melhorar a vida no campo

O Projeto de Articulação de Chefs e Agricultores conta com nomes como Rafa Costa e Silva e Thomas Troisgros

Robert Halfoun - Publicado em 29/11/2019, às 18h00

Levar os chefs para o campo é, sem dúvida, uma das maneiras mais eficientes de melhorar as condições de cultivo e de vida dos trabalhadores rurais, em busca de um mercado mais justo. E é exatamente isso o que o Projeto de Articulação de Chefs e Agricultores, no Rio, vem fazendo ao conectar nomes como Rafa Costa e Silva, Thomas Troisgros, Jerome Dardillac, Ricardo Lapeyre, Roberta Cisca e outros 12 cozinheiros com três famílias de produtores orgânicos, da região de Seropédica.

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A ação, que conta com o apoio da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, diminui o número de intermediários entre o produtor e o consumidor, no caso, os próprios cozinheiros. E possibilita o desenvolvimento de novos produtos, com uso do banco genético da UFRRJ. Dele saem variedades raras de tomates, batata doce azul ou cenouras roxas e amarelas.

Funciona assim: uma vez definidos os produtos a serem cultivados, os chefs pagam antecipadamente pela produção, eliminando o risco do agricultor, que não precisa fazer financiamento em bancos. Por outro lado, eventuais excedentes de produção passam a ser dos financiadores, sem custo adicional.

Outro lado bem bacana desse tipo de iniciativa é, além de fomentar no crescimento dos agricultores, é a introdução dos novos vegetais que, com a visibilidade proporcionada pelos cozinheiros, passam a ser cultivados numa escala ainda maior, sem prejuízo da qualidade, até chegar a nós, o grande público.

O que é possível garantir é que, além da aparência, esse vegetais trazem características gustativas muito especiais, para incrementar receitas aqui e ali.

Tomate rajado – Suas listras alaranjadas são um fetiche para o agricultor: no interior é carnudo e muito saboroso.

Batata doce azul – Na verdade é roxa, devido a presença da antocianina, antioxidante que deixa os legumes desta cor. É típica do países andinos.

Cenoura roxa – Surgiu antes da alaranjada e depois se perdeu, com a mutação do vegetal. Tem menos polpa e sabor menos adocicado.

Cenoura branca – Muito rara, contém flavonoides, o famoso antioxidante da casca das uvas, que combate radicais livres e impede o envelhecimento precoce das células.

Tomate Couer de Boeuf – É uma variedade francesa com formato e tamanho semelhantes a um coração de boi. Sim, há exemplares com até 600 gramas! É macio e docinho.

Tomate Black Prince – Nativo da Sibéria, quando é colhido no verão local. Por dentro é mais belo do que por fora, com variação intensa de tonalidade. É adocicado e suculento.

 

Este texto foi publicado originalmente na revista Sabor.club #34 que está na melhores bancas por todo Brasil. E também na banca digital www.zinio.com. 

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