Pier Paolo Picchi, mezzes do Filó, Kalango e Slow Bakery

Coma bem e divirta-se com as boas do fim de semana no Rio e em São Paulo

Da redação - Publicado em 14/02/2020, às 15h23

As boas do fim de semana, 15/2, no Rio e em São Paulo:

 

Filó, a Turquia é aqui
Muito além do país, casa que é uma viagem serve a ótima comida do Mediterrâneo oriental

Você já foi a Turquia, nêga? Não? Então vá.
O parafraseio respeitando a rima da antólogica letra do nosso Dorival Caymmi é apenas para dizer que o país dos mezzes (aperitivos servidos quentes ou frios) está mais perto de nós do que a nossa vã noção de distância pode imaginar. E não porque o balcão de mármore turco pousa imponente no bar da casa, despojadamente decorada com referências árabes, numa pegada bem original. Muito menos porque se esquecermos que falam português na mesa ao lado, parece até que estamos num dos restaurantes de Moda, o descolado bairro na parte asiática de Istambul.

A viagem para porção oriental do Mediterrâneo, na verdade, acontece pela boca, quando comemos os pratos da chef Fernanda Campagnoli, uma craque na cozinha israelense, que se aprofundou na culinária dos outros países
com influência árabe. O homus que ela faz, servido sob robustas fatias de rosbife, é um grande exemplo disso.
Ele não é uma pasta de grão de bico qualquer. Tem sabor e leveza que não vemos por aí, uma vez que ela não carrega a mão na pasta de gergelim. O passeio continua com o shakshuka com tomates pedaçudos, com as lulas recheadas (bem turcas!), com o falafel e até mesmo com uma batata “esmagada”, servida com creme azedo. Dica: tudo aqui é melhor se comido compartilhado, como turcos e cia. fazem. Ficar num prato só aqui o maior desperdício.

Filó – Rua Ferreira de Araújo, 732, Pinheiros, São Paulo – SP

 

 

Pier Paolo Picchi em grande fase

Menos falado do que devia, ele faz uma das melhores cozinhas de SP, no seu Picchi

Se existe um cozinheiro discreto no mundo da restauração em São Paulo, ele é o Pier Paolo Picchi que, como mostramos numa linda reportagem aqui na Sabor.club, gosta mesmo é de ficar com a família e os cachorros, na casa gostosa, onde mora, nos arredores da capital paulista. Procure algum burburinho em torno dele na mídia: não vai encontrar nada. Nem o destaque que ele merece no cenário da gastronomia feita por aqui.

A discrição, no entanto, desaparece quando o
objetivo é servir o comensal com altíssima cozinha. O pensamento culinário do chef é, ao mesmo tempo, tradicional e ousado, com misturas inusitadas cujo os ingredientes se encontram com a aplicação impecável de técnicas indispensáveis numa mesa de nível elevado. O que dizer do tartar de cordeiro, ostra e maça verde?

Não sou muito de ficar citando pratos, porque eles sempre mudam nas mãos dos grandes cozinheiros.
O exemplo acima, no entanto, é um convite para fugir a regra, com a intenção de mostrar o que o chef é capaz.

No momento, ele serve também um menu degustação o qual recomendo em fortemente. A base, claro, é italiana. Aplicada da forma moderna, como vemos em casas que vêm, ao contrário do Picchi, ganham um espaço na mídia proporcional ao trabalho realizado nelas.

O Picchi, hoje, talvez seja o melhor restaurante estrelado de São Paulo. Mas isso é você quem tem que avaliar.

Picchi – Rua Oscar Freire, 533, Jardins, São Paulo – SP. 
Tel.: (11) 3065-5560

 

 


 

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Bar Kalango, da Kátia Barbosa

Boteco, para poucos e bons, é xodó da cozinheira

Panela de barro com feijão fradinho, linguiça, toucinho, quiabo, abóbora e maxixe. Mungunzá salgado com mocotó. Moqueca de ovo. Sem falar no ‘sonho’ de aipim com bobó de camarão, e na rabanada de brioche sobre calda de tapioca com doce de leite e flor de sal, candidata a melhor sobremesa do Rio.

Esse é o Bar Kalango, botequim estilo bunda-de-fora que Kátia abriu há dois anos em rua pequena da Praça da Bandeira, com o sócio Emerson Pedrosa, ex-subchef de Roberta Sudbrack. Ele está na cozinha todos os dias e o resultado é primoroso: Claude Troisgros, sempre ele, chorou de emoção durante um almoço.

 R. São Valentim, 513 - Praca da Bandeira, Rio de Janeiro - RJ, 20260-111

 

 

Slow Bakery tem árvore no salão

“A padaria é  um espaço de mediação
entre mundos diferentes”

No início da Rua General Polidoro, região crescente na boa gastronomia de Botafogo, a nova Slow Bakery tem três andares banhados à luz natural em claraboias. Plantada no salão, uma árvore oiti projeta as folhas na altura do mezanino onde será instalada uma torrefação própria de café. Pensado para a interação, o bar forma pequena arena que aproxima as pessoas, e as tomadas para notebooks nas mesas convidam à permanência. “Como padaria, recebemos todas as pessoas e ideologias, e somos um espaço privilegiado de mediação e entendimento entre mundos diferentes”, define a Ludmila Espíndola.

The Slow Bakery – R. Gen. Polidoro, 25, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ. Tel.: (21) 3563-

 

 


 

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