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Parmesão? Alto lá. O queijo D'Alagoa vai ganhar denominação de origem

A iguaria que saía da Mantiqueira no lombo do burro chega em todo o Brasil pela internet

Pedro Landim - Publicado em 16/10/2020, às 14h00

O premiado Queijo D’Alagoa, conhecido como o Parmesão da Mantiqueira, reflete a natureza de seu berço desde os tempos em que o tropeiro Jeremias encaixava as peças no balaio de bambu e atravessava as montanhas para vendê-lo no Vale do Paraíba.

Santa internet, Batman, exclamamos um século depois, com o pioneirismo do bisneto de Jeremias, que antes de qualquer outro queijeiro levou a todo o território brasileiro, pelo comércio digital, a iguaria já certificada em Minas Gerais e que caminha a passos largos para obter o selo de denominação de origem.

“Alagoa foi reconhecida pelo estado de Minas como produtora de queijo artesanal e o certificado sai nos próximos meses. Na sequência, obteremos a denominação de origem e o selo ARTE, no Ministério da Agricultura. As coisas estão caminhando”, comemora Osvaldo Martins de Barros Filho, o Osvaldinho, criador da Queijo D’Alagoa, empresa que reúne pérolas de produtores locais no primeiro e-commerce queijeiro do país, comemorando dez anos de atividade.

 

 

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Uma década onde o trabalho duro para apresentar ao mundo a pequena e secular produção da Mantiqueira foi recompensada por prêmios como as medalhas de bronze e prata obtidas na França, respectivamente, em 2017 e 2019, no Mondial Du Fromage. Ou a conquista do Super Ouro no Prêmio Queijos do Brasil, a principal premiação do gênero no país.

“Hoje, nossa atuação na internet mantém a agência do correio aberta na cidade. O impacto social foi enorme e a qualidade de vida é outra, com novas gerações retornando ao campo, e o turismo de todas as partes do Brasil”, comemora Osvaldo.  E lembra o importante mandamento da cartilha da produção artesanal brasileira: “Fé em Deus e queijo na tábua”.

Os queijos premiado de Alagoa podem ser comprados no site do Queijo D’Alagoa.

 

O Queijo d’Alagoa é um produto de identidade própria

Com todo respeito a sua origem, pelas mãos dos imigrantes italianos na pequena cidade mineira, a 1.132 metros acima do mar, vale a ressalva: “Cresci comendo o parmesão da Mantiqueira, e tudo mudou quando descobri que temos um queijo único”, ressalta Osvaldinho, o homem que colocou o Queijo D’Alagoa no mapa mundial.

O parmesão nacional, de uma maneira geral, é feito com leite pasteurizado em grande escala. A pequena produção com leite cru da região de Alagoa só é possível no terroir (ou ‘tremruá’, como dizem os mineiros) peculiar da Mantiqueira. Ou seja, a união de fatores como topografia, temperatura, solo, água, gado e o saber tradicional. “O fermento próprio do queijo sequer trabalha em outras regiões, já tentaram levar sem sucesso”, garante Osvaldinho.

 

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