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Casal apaixonado por azeite produz o óleo puro e fresco na Serra da Mantiqueira

O Serra dos Garcias mostra todo o seu potencial quando consumido logo depois de ser engarrafado

Robert Halfoun - Publicado em 25/07/2018, às 15h16

A psicanalista Silvia Marques e o publicitário Ivan Marques são dois grandes apaixonados por azeite. Já viajaram o mundo todo em busca de bons óleos de oliva, mergulhando fundo em polos produtores como Portugal, Uruguai, Itália, França e Espanha.

Até que decidiram se dedicar a grande paixão. Desde 2015 cultivam oliveiras na propriedade que têm em Aiuruoca, Minas, numa fazenda linda, colada nas escarpas da Serra da Mantiqueira. Hoje, ela já conta com 3.300 oliveiras das espécies Arbosana e Arbequina, originárias da Espanha, e Koroneiki, vinda da Grécia. Com tanta azeitona, claro, vamos fazer azeite! Assim nasceu o Serra dos Garcias, produzido com azeitonas colhidas manualmente, como se deve.

 

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Em menos de quatro horas, elas já estão preparadas para a extração. Esse cuidado resulta em um azeite extravirgem artesanal de baixa acidez, aroma e sabor intensos, que vão dos frutados maduros aos mais verdes, e grande frescor. Para aproveitar o máximo de sua produção, o casal tem consultoria de Marcelo Scofano, prestigiado azeitólogo brasileiro, responsável por acompanhar o processo de colheita e extração e por criar os blends especiais.

A última safra, com 30 toneladas de azeitonas, deu origem a 3 mil litros de azeite, distribuídos em três rótulos que acabam de chegar ao mercado. E isso é ótimo para quem gosta do óleo de oliva.

Em novembro, na França, o lançamento do Beaujolais Noveau, vinho de mesa produzido na região de mesmo nome, gera uma verdadeira corrida às prateleiras. Gente do mundo todo tenta comprar a bebida, famosa por seu frescor, logo depois de sua rápida fermentação. No Brasil, o mesmo poderia ocorrer com os azeites, no segundo trimestre do ano, época em que chegam aos mercados as variedades produzidas em todo o país a partir da safra do ano corrente.

Como o mês da colheita depende da altitude das áreas de cultivo e, depois de extraído, o óleo de oliva precisa decantar por alguns dias antes de ser envasado, os meses de março a junho são a melhor época para garantir os estoques de azeites recém-extraídos.

Ao contrário da maioria dos vinhos, que podem beneficiar-se com a guarda, o melhor azeite é o mais fresco, aquele produzido nas redondezas. Quanto mais novo, melhor preservadas ficam as características nutricionais, o aroma e o sabor deste que é o óleo vegetal mais valorizado do mundo.

Aqui mora a principal vantagem dos azeites nacionais em relação aos concorrentes importados: enquanto os óleos produzidos aqui podem ser comprados com menos de um mês da extração, os de fora demoram no mínimo 90 dias para chegar ao país.

A produção brasileira cresce a cada temporada: atingiu no ano passado a marca 110 mil litros, parcela pequena perto dos 70 milhões de litros importados anualmente – que fazem do país um dos maiores consumidores de azeite do mundo. Normalmente, as oliveiras são cultivadas nas mesmas latitudes que os vinhos, mas, por conta da altitude, a Serra da Mantiqueira tem se mostrado propícia para este cultivo, tornando-se o maior pólo de olivocultura do Brasil em volume de produção – o mais próximo de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

 

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