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O poderoso Churchill e a comida como estratégia para vencer as guerras

O político britânico dos banquetes nos navios e piqueniques nos campos de batalha

Da redação - Publicado em 19/05/2020, às 18h30

A cena do café da manhã caprichado que abre o filme O Destino de uma Nação, com a brilhante atuação de Gary Oldman, como Winston Churchill, diz muito sobre o apetite insaciável e a paixão pela boa comida do primeiro ministro britânico.

Sua refeições, mesmo as mais prosaicas, nunca tinham menos que três pratos, sempre acompanhados de champanhe (Pol Roger – sua marca preferida). De uma curiosidade incomum, Churchill transformava cada cada banquete, jantar, almoço, chá e até um simples piquenique numa poderosa ferramenta política.

 

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Na época da Segunda Grande Guerra, visando estreitar seu relacionamento com o Presidente Franklin D. Roosevelt e amolecer sua relutância a uma participação mais ativa dos Estados Unidos no combate, recebeu-o no meio do oceano atlântico, a bordo do couraçado H.M.S Prince Of Wales, servindo um tremendo rega-bofe.

No cardápio, salmão defumado, caviar, sopa de tartaruga, marreco assado, crepe Jean D’arc, sobremesas e café.

Mais tarde, quando, à convite do mesmo Roosevelt, passou uma temporada na Casa Branca, revolucionou menus e serviço, considerados pra lá de medíocres e provincianos. E fez o champanhe fluir com generosidade. A governanta da época, famosa por sua comida ruim, teve de se virar para agradar o inglês.

Nas areias de Tripoli, em meio às trincheiras, durante uma das suas visitas às suas tropas, até o estoico general Montgomery, um chato de galocha que não fumava, não bebia e comia com moderação, caiu vítima das artimanhas de Churchill, num piquenique suntuoso. No meio do front, almofadas e tapetes foram estirados no chão. Churchill foi colocado numa confortável cadeira com uma pequena almofada ao colo servindo de mesa. Do nada surgiu uma enorme barra de gelo para manter o vinho na temperatura certa. Foram servidos de início ovos cozidos, presunto em geleia de aspic, seguido de roast-beef frio, meia galinha, salada de batatas, pães, manteiga, torta de morango, queijos, laranjas, tangerinas, mais vinho e brandy.

Com Stalin, na URSS, promoveu um festim com algo em torno de 28 pratos, para tentar dobrar o estadista. A comilança que começou com caviar e salmão, terminou com 40 brindes de vodca.

 

“O pato era meu amigo”

Churchill adorava animais, embora não evitasse comê-los


No filme, outra cena emblemática revela outra curiosidade sobre Churchill, quando ele alimenta o cão do seu compadre, o rei Eduardo IV, durante um almoço. O inglês guloso era apaixonado por animais e era mesmo sempre visto dando comida e muitas vezes conversando com eles em Chartwell, sua casa de campo. Certa vez ao servirem pato à mesa, disse à sua mulher, Clementine: “Corte você, Clemie, não posso fazer isso. Ele era meu amigo”. 

 

À mesa com Churchill

Todas as histórias contadas nessa reportagem – e tantas outras – estão no livro Dinner with Churchill – Policy Making At The Dinner Table, de Cita Stelzer. Além do perfil gourmet, a obra revela também uma parcela da sua sua múltipla personalidade.

 

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