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O pequi como você nunca viu

O fruto com gosto peculiar e espinhos que machucam de verdade vira pasta nas mãos de casal

Pedro Landim - Publicado em 13/09/2021, às 16h18

Cachoeiras intocadas, cânions e cavernas desenham as lindas paisagens do nordeste de Goiás, na zona rural de Mambaí, município próximo à divisa com a Bahia, numa área de proteção ambiental onde os frutos brasileiros do cerrado exibem suas formas e perfumes peculiares. E foi um famoso amarelinho que encantou a historiadora Iasmyni Berquó e o biólogo Sandro, casal nascido em Goiânia que comprou um sítio para morar com os pés na natureza, e revelar para quem gosta de bons produtos culinários os sabores do pequi de um jeito novo e encantador.

A relação com o fruto é antiga e afetiva, e quando os dois abriram o sítio Boca do Mato, onde palmeiras de butiá oferecem às mãos o coco azedinho, e estabeleceram parcerias com a comunidade de agricultores familiares que produzem o pequi de forma sustentável, assim como o buriti e a castanha de baru, começaram a desenvolver produtos gastronômicos variados.

 

 

 

 

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“Procurávamos um produto à base de pequi pronto para o consumo e não havia, então decidimos fazer a nossa própria pasta e ela fez sucesso, os visitantes pediam. Até quem não gosta de pequi costuma gostar e levar”, conta Iasmyni.

De fato, o fruto deixa muita gente com o pé atrás quando consegue tê-lo nas mãos, pois seu caroço cheio de espinhos dificulta a mordida, além do sabor peculiar e pronunciado. Mas Iasminy o domou com categoria, misturando a polpa com ingredientes como açafrão-daterra
e semente de coentro, numa pasta que faz bonito simplesmente por cima da torrada, algo que a gente não imagina quando encara uma galinha ou carne seca com pequi, para citar duas formas tradicionais de se aproveitar o ingrediente no Cerrado.

 

 

 

“A pasta fica ótima em pizzas ou panquecas, com carne no churrasco, e combina muito bem com milho, fazendo um creme”, ensina ela. E conta que uma cachaçaria local, em parceria com o sítio, usa o produto num delicioso risoto de costela com pasta de pequi.

O Boca do Mato oferece hospedagem com direito a minicozinha nas suítes, oportunidade para conhecer uma região de natureza ímpar e ainda explorar a linha da marca que tem também pastas de baru com ervas, licores de todas as frutas locais, farinhas e chutneys.

 

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