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No Dia da Cachaça, aprenda o que cada tipo de madeira traz de aromas para a bebida

Carvalho, jequitibá ou amburana? Conversamos com o maior especialista brasileiro nos blends que enobrecem a 'marvada'

Pedro Landim - Publicado em 13/09/2020, às 08h24

Dia da Cachaça no domingo merece uma 'bicada', certo? É no 13 de setembro que a gente comemora a data nacional da marvada e seus tantos sinônimos. A brasileiríssima pinga, que hoje em dia é feita com maestria, conhecimento e critérios rigorosos de qualidade em alambiques de norte a sul.

Quem poderia imaginar, no apagar das luzes do último século, que estaríamos falando agora no envelhecimento da bebida em diversos tipos de madeiras, descobrindo notas sensoriais na flora brasileira e conversando com um Master Blender especializado na mescla das bebidas e no uso das barricas?

Sim, Armando del Bianco, hoje a serviço da cachaça Gouveia Brasil, é quem nos ensina o que cada madeira aporta de sabor e aroma na bebida. Formado em cursos como a Université des Eaux de Vie, escola de destilados de Cognac, na França, e com especialização em destilarias de uísque na Escócia.

 

 

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É dele o primeiro blend brasileiro de madeiras a ganhar um prêmio internacional, cobiçado Grand Gold no Concours Mondial de Bruxelles, obtido pela Gouveia Brasil Extra Premium. O rótulo mescla cachaças distintas armazenadas em tonéis de carvalho por cinco anos, o mesmo tempo em jequitibá rosa, e dez anos na amburana.

“O carvalho e o jequitibá dão o corpo macio, notas frutadas, amendoadas e o amadeirado. A amburana traz floral e coco. É madeira difícil quando nova, muito forte. Ao envelhecer, se torna amendoada, o que lembrava serragem vira uma farinha de nozes”, explica.

 

 

Para criar um blend, diz Armando, o Master Blender pode passar mais de uma semana no alambique. Porque o máximo de amostras que o profissional consegue provar sem perder o paladar são 30 por dia. Nessas, com a técnica de descartar o líquido, ingere-se apenas o equivalente a uma dose e meia.

“O processo é como na seleção brasileira, você convoca os 24 e escolhe os 11 que vão jogar”, brinca.

Outro exemplo notável na mescla de madeiras está na Sete Engenhos Especial, projeto da cachaçaria Sete Engenhos, de Quissamã, no estado do Rio, que fornece a bebida para bares e restaurantes renomados da cidade, incluindo uma estação na piscina do hotel Copacabana Palace.

O rótulo citado passa por nada menos do que quatro madeiras, começando com dois anos de envelhecimento no carvalho. "Tem o coco queimado e a baunilha do carvalho, o exotismo e a canela da cerejeira, a picância do amendoim e o toque herbal do bálsamo", define Haroldo Carneiro, que representa a 14ª geração de uma família produtora do aguardente de cana no Rio.

 

 

Principais madeiras e seus aromas:

 

• Bálsamo: Cítrico e floral

 

• Carvalho: Baunilha, madeira, fruta seca (ameixa) e fresca (maçã), defumado, amanteigado

 

• Amburana (ou Cerejeira): Floral, baunilha, coco

 

• Jequitibá: Cítrico, amendoado, oleoso

 

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