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Pimenta Jiquitaia feita pelo povo Baniwa é joia da Amazônia no chocolate Na'kau

A combinação clássica ganha um aroma distinto com a especiaria cultivada pelas mulheres indígenas

Pedro Landim - Publicado em 24/08/2020, às 13h00

Cacau da floresta tratado com esmero e respeito pelos produtores nativos, e um toque da pimenta Jiquitaia produzida pelas mulheres indigenas Baniwa, no Alto Rio Negro. Falamos aqui de cultura e sustentabilidade, mas também de sabores marcantes e intensidade no paladar, num chocolate daqueles que a gente deve degustar sem pressa, deixando derreter na boca. 

O Na’kau 72% Cacau com Pimenta Baniwa é um dos produtos que se destacam na fantástica fábrica de chocolate amazônico, fruto de um sonho realizado por um grupo de produtores, que teve o auxílio de um pesquisador dos produtos nascidos na mata para desenvolver as barras de altíssimo nível. 

 

 

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A pimenta forte em forma de 'pó', por sua vez, é produzida pelas mulheres do povo Baniwa nas margens do rio Aiari, na bacia do Rio Negro, no Amazonas. Seu nome, Jiquitaia, vem de uma formiga pequena e de picada dolorida. O produto final é fruto de várias pimentas amazônicas distintas, que são colhidas, partidas e postas para secar ao sol por até cinco dias. Depois, são piladas e moídas, com a adição de pequena dose de sal.

A história do chocolate Na’kau começou no interior da Amazônia, com cacuaeiros como Dona Dinorath Figueiredo, Orange Aires, Alexandre Pasqual e Arilson Grana. O grupo já pensavam em mudar o ramo por causa das dificuldades do mercado quando o biólogo Artur Coimbra revolveu aproveitar a expertise de todos para desenvolver um chocolate único em modelo sustentável.

As barras que hoje se espalham pelo Brasil, inclusive, trazem as fotos de cada produtor da floresta, e vamos combinar que é a mordida fica ainda mais gostosa quando a gente vê a moça no canto da embalagem do Na’kau 72% com Baniwa, e a frase: “Pode conter cacau produzido pela Sra. Lúcia França”. 

 

 

 

Nos municípios de Borba e Urucurituba, os frutos dos cacaueiros são colhidos no grau de maturação exato, que lhes confere o ponto mais doce. O cacau descansa por quatro dias antes da retiradas das sementes recobertas de polpa. A acidez é controlada com a fermentação das sementes, durante 7 a 10 dias, feita em caixas de madeira revestidas com folhas de bananeira. Durante o processo, elas são mexidas até perderem o seu poder germinativo e se transformarem em amêndoas que secam por cerca de 10 dias antes da moagem. 

Os  chocolates então são feitos apenas com a amêndoa, a manteiga do cacau e o açúcar orgânico, e a porcentagem dos ingredientes é fator determinante na intensidade e na complexidade de sabor das barras, que revelam notas frutadas ou florais, características muito especiais do cacau amazônico.

 

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