O mercado Acolheita é queridinha por grandes chefs como Roberta Sudbrack, Alberto Landgraf e Lira Müller -

O mercado Acolheita é queridinha por grandes chefs como Roberta Sudbrack, Alberto Landgraf e Lira Müller

Mercado no Rio incentiva o pequeno produtor

O mercado Acolheita é incetiva o uso de produtos com sementes que darão origem a safas cada vez melhores

Matheus Vieira - Publicado em 14/05/2019, às 12h00

O calor de 38 graus na Rua São João Batista, em Botafogo, no Rio, fez a chegada na Acolheita ser ainda mais agradável. Espaço com ar condicionado, uma jarra de água saborizada gentilmente oferecida pelas atendentes e pronto: dava para pôr a cabeça na reportagem.

O espaço, com cerca de 100 m2, é uma novidade na Zona Sul carioca. Foi aberto há apenas seis meses. De lá para cá, vem ganhando os corações dos moradores do entorno (faz questão de se anunciar como um mercadinho de bairro independente) e também de chefs graúdos, como Roberta Sudbrack (Sud, o pássaro verde), Alberto Landgraf (Oteque), Nello Garaventa (Grado), Nathalie Passos (Naturalie), Lira Müller (Bazzar), entre outros.

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Seja quem for o freguês que cruza a porta, o mais importante é que ele encontre “comida de verdade” nas prateleiras. São legumes, frutas, verduras, grãos à granel, ovos, queijos. Tudo 16 fresquíssimo. Ao lado de cada produto, uma placa informa o nome do produtor, quanto exatamente ele está recebendo por aquela venda e o custo do frete. Ou seja: dá para fazer as contas e saber qual é a parte que fica para o local.

“Quando se enxerga só o produto, espera-se que alguém trabalhe muito para produzir ao máximo, e assim dar lucro. Queremos pensar em relações justas e transparentes, para reconhecer e valorizar o produtor”, defende Alexandre Tenenbaum, idealizador e um dos seis sócios da Acolheita.

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Nas paredes do mercado, quadros deixam visíveis as fotos e as informações de cada um dos produtores que estão com itens à venda naquele dia. São 60 fornecedores ao todo, mas eles se revezam de acordo com o que podem entregar e com a sazonalidade dos produtos. A cada dia, se encontra um insumo diferente na casa. Na segunda-feira que estivemos por lá, as estrelas eram os tomates rajados, que saíam a R$ 17,30 o quilo. R$ 1,30 era o custo do frete por quilo. Do restante, a metade ia para o bolso do produtor.

A chef Lira Müller, do Bazzar, assim como eu, estava encantada com os tomatinhos. E dá a aqui: “Já usei de tudo, sempre o que está brilhando na semana. Os feijões também são incríveis!”

Como todos os itens vêm de um cultivo sem uso de agrotóxicos e de sementes produzidas pelos próprios produtores, a variedade genética é vasta. De tal forma que Acolheita vem desenvolvendo um banco de sementes, com toda a biodiversidade que passa por seu comércio. O resultado, segundo Tenenbaum, é um alimento mais saudável e saboroso à mesa e o empoderamento do pequeno agricultor. “As sementes dos produtos que estão no grande mercado são estéreis. São geneticamente modificadas para aumentar a escala de produção, em qualquer condição de clima, por exemplo. Isso acaba prendendo o produtor a fornecedores de sementes. Tudo o que é vendido aqui pode ser semeado, e isso resgata variedades e traz autonomia para quem planta. E é uma oportunidade para os chefs se aproximarem da produção de alimentos e das particularidades de cada agricultor.”

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Como há certa imprevisibilidade no que entra e no que sai da Acolheita, os sócios apostam na xêpa para combater o desperdício. Ela fica num cesto, no cantinho, e tudo sai pela metade do preço. As plaquinhas encorajam o consumidor: “Acolha uma folha triste, quem vê cara não vê coração”. Nathalie Passos, chef do Naturalie, é engajada na distribuição de produtos de produtores locais e sempre faz a xêpa. Ela e o marido, o chef Alberto Landgraf, eram vizinhos do espaço e viraram entusiastas desde que foi aberto.

“Se as ervas não estão muito bonitas, pouco importa na hora de fazer um molho. Elas precisam ter qualidade. Uma vez, teve uma leva de pêssegos imensa e eu levei tudo. É tanta variedade que chega a ser um estudo de ingredientes. Estou sempre disposta a experimentar.” Fica o exemplo.

Acolheita – R. São João Batista, 79, Botafogo, Rio de Janeiro – RJ. Tel.: (21) 97030-3231

Você precisa mesmo de mim?

A casa incentiva que a gente abandone as embalagens “recicláveis”

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No Instagram, Acolheita se orgulha em contabilizar mais de 67 mil sacolas plásticas que deixaram de ser usadas no negócio. Incentiva-se que o consumidor leve as ecobags, sacos de pano e potes de vidro. Na casa, nada vem embalado. Em último caso, eles disponibilizam sacos de papel, mas com uma placa ao lado alertando: “Você precisa mesmo de mim? Seja consciente”. Tem cliente mais gentil que deixa para trás uma embalagem solidária, para os esquecidos poderem levar – isso acaba sendo muito útil para os ovos, por exemplo. “Já saí de lá carregando cebola na mão, só para não ter que levar a sacola de papel”, contaa chef Nathalie Passos.

 

*Esta reportagem foi publicada originalmente na revista Sabor.club #26, que está na melhores bancas por todo Brasil. E também na banca digital www.zinio.com. Ou assine clicando aqui  sabor.club/assine.

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