A atleta Helena Mil-homens leva para a padaria St. Chico a força usada no tatame  - Fotos: Henrique Peron

A atleta Helena Mil-homens leva para a padaria St. Chico a força usada no tatame - Fotos: Henrique Peron

Helena Mil-Homens e o pão especial

Com disciplina de atleta, Helena Mil-Homens faz pães muito especiais, num modelo que democratiza o produto de alto nível

Letícia Rocha - Publicado em 08/05/2019, às 15h00

Helena Mil-Homens, padeira, acorda todos os dias às 4h30 da matina. Chega no trabalho, a padaria St. Chico, em São Paulo, meia hora depois. Confere fornos e produtos e dá início a mais um dia de trabalho.

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Às 6h30, a dólmã dá lugar ao quimono e ela vai para o tatame. Helena é lutadora de jiu-jitsu, treina todos os dias.

Em casa novamente, por por volta das 10h30, toma café da manhã e volta para a padaria.

Fica até meio da tarde, quando interrompe o trabalho na cozinha para correr e depois dormir um pouco até voltar ao trabalho no fim da tarde e ficar na loja até ela fechar, oito da noite. “Mas, às vezes, quando vejo, é 1h da manhã e ainda estou na cozinha, testando alguma receita. É, durmo pouquíssimo.”

A vida de atleta, ela diz, se assemelha muito a do cozinheiro: “É disciplina, comprometimento, concentração, foco e a busca constante do aperfeiçoamento”.

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Quando a gente conversa com a Helena, percebe que fala da boca para fora. Quando come os pães que ela faz, tem certeza de que tudo o que é bom pode ficar melhor. A clientela fiel que ela conquistou em A um ano, desde que abriu a padaria é mais um exemplo disso.

A vida de atleta, ela diz, se assemelha muito a do cozinheiro: “É disciplina, comprometimento, concentração, foco e a busca constante do aperfeiçoamento”

O grande barato da St.Chico é ser um lugar comum, embora esteja no bairro hipster da Paulicéia e tenha aquele visual industrial com interferências “confortáveis”, como os azulejos rococó. A diferença é o produto.

A padaria St.Chico, em São Paulo, é frequentada por todo tipo de gente, incluindo quem vai ao supermercado e depois passa lá em busca de um pãozinho melhor

É uma segunda-feira de verão, 3 da tarde, e o movimento aqui é intenso, com o entra e sai da senhorinha japonesa com carrinho de feira, do jovem bombadão, do pai com filho, do aposentado de bermudão, do senhor que anda com ajuda de bengala, de executivos.

Há quem compre cesta de pães especiais, burrata e presunto cru, para um jantarzinho com a namorada. A dona de casa que vai mercado e compra lá com os frios industrializados passa por aqui porque já viu que aqui o pão é diferente. É bem melhor e acessível. Então leva seis pãezinhos francês bem clarinhos. “Eu só queria um local para servir um bom pão, um pão de queijo feito de queijo mesmo e não de mistura, para ter coisas de verdade e não industriais, mas digo isso sem querer me apoderar de um conceito que virou tão de modinha, mesmo sendo muitas vezes usado por tanta gente só na teoria e não na prática”.

 

1- Sanduíche com ciabatta - Pão “natural”, um fio de azeite, mortadela das boas e picles. Não há quem não goste.

2 - Pão integral com Nutella - A dica é passar um tico de manteiga no pão, antes de caprichar na colherada do creme de avelãs.

3 - Pão francês – Sim, feito com fermento natural. É ainda mais crocante e muito mais saboroso.

4 - Pão para toda obra - O mesmo levain é capaz de produzir uma inúmera quantidade de tipos de pães. O que varia é a receita.

St. Chico – R. Fernão Dias, 461, Pinheiros, São Paulo – SP. Tel.: (11) 3031-5096

 

*Esta reportagem foi publicada originalmente na revista Sabor.club #26, que está na melhores bancas por todo Brasil. E também na banca digital www.zinio.com. Ou assine clicando aqui  sabor.club/assine.

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