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Gelato delicado e inspirador nasce em Fortaleza de uma história de amor

A cearense Afra e o italiano Andrea se conheceram dentro de um avião e o destino foi doce e gelado, no melhor dos sentidos

Da redação - Publicado em 30/03/2021, às 15h30

CENA DE COMÉDIA ROMÂNTICA: ela é uma estudante de moda, em Milão, e resolve passar uma temporada em Dublin, na Irlanda, para aperfeiçoar o inglês. Ele é um profissional do mercado financeiro, trabalha da capital irlandesa, ele fica num bate-e-volta entre a Irlanda e a terra na natal, na Itália.

Ambos voam por uma companhia aérea low cost, dessas que não fazem marcação de assento, cobram uma fábula para despachar mala, têm assentos apertadinhos e grudados uns nos outros.

 

 

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Agora imagine a situação: a estudante de moda, depois de uma temporada cercada das butiques mais antenadas do mundo, não tem pouca roupa, né? Problema: elas não cabem na cota de bagagem que ela pode despachar. E tome rearrumar daqui, se desfazer dali. Vestir uma roupa por cima da outra, um casaco por cima do outro... Tudo isso no saguão do aeroporto, com o cara da companhia aérea avisando que vai fechar o voo.

Pronto, lá vai ela, esbaforida, com uma-roupa-em-cima-da-outra e um casaco-em-cima-dooutro rumo à aeronave, já repleta de irlandeses e italianos furiosos, porque alguém estava atrasando o voo. Menos um. O tal do mercado financeiro, que viaja sem mala, apenas com um casaco nas mãos. Ele olha aquela figura apavonada e... sorri. Ela senta ao lado dele, na única poltrona que resta. E apertadinhos, um colado no outro, começam uma longa história de amor.

 

 

Faz tempo que esse episódio aconteceu. E, de lá para cá, a cearense Afra Colodetti e o italiano Andrea Bellucci, de Perúgia, na Úmbria, tiveram de encontrar uma maneira de ficarem juntos, no Brasil, porque a família dela, conservadora, não admite a hipótese de ter uma filha morando fora.

Andrea então vem para São Paulo, entra numa boa vaga mas não gosta dela. Então lembra que, na Itália, havia sido aprovado com louvor no curso de gelato artesanal, com a maior fabricante das máquinas necessárias para a produção do cremosíssimo sorvete italiano. E encontra a solução para a vida do casal: abrir uma gelateria em Fortaleza, diante de um mercado promissor.

 

 

Os ventos que nunca param de soprar na capital cearense estavam (e ainda estão) a favor. Filho de uma bióloga de alimentos, que encontra a cura para o corpo através da comida, Andrea sempre teve muito contato com produtos da melhor procedência possível, muitos deles da horta da sua casa.

Aprendeu desde cedo a educar o palato, a decifrar o que está por trás da construção do gosto. Sabia que podia se tornar um grande gelataio, o nome que se dá ao “chef” da gelateria.

Afinal, gelato, vale dizer, é algo inicialmente simples de fazer e a técnica vai se aperfeiçoando aos poucos, com o exercício diário. O importante – sempre! – é usar produtos da estação e de ótima origem. Quanto melhores forem, melhor fica o gelato. Isso porque a composição dele faz com que a “massa” não congele, seja servida menos gelada e, consequentemente, não agrida as papilas gustativas. Consequentemente, sentimos melhor o gosto do que colocamos na boca.

Todas essas condições explicam porque, na Itália (e em outros lugares do globo), gelato artesanal não é doce de verão. É doce do ano todo,

faça chuva, faça sol. Frio ou calor. E porque há tantas gelaterias espalhadas pela Bota. Ao todo, há mais de 30 mil portinhas que servem gelatos incríveis, cada um com uma assinatura diferente. Sempre com pouco açúcar (muitas vezes não é preciso colocá-lo, vale lembrar, frutas da estação são bem doces) e apenas a gordura do leite, nada de venenos hidrogenados.

Desde que o maquinário para fazer gelato se tornou mais acessível, muitos italianos, como o Andrea Bellucci, perceberam que fazer o sorvete local é uma alternativa de vida, o que vem impulsionando esse mercado no mundo todo, inclusive por aqui.

 

 

A Afra e o Andrea queriam ficar juntos e o gelato foi uma opção para isso. Há quem deixe a profissão (ou é deixado por ela) e também encontre um alternativa na gelateria.

No encontro de gelataios, no qual “descobrimos” a Afra e o Andrea, vimos o tanto de casais que, sem se conhecer, têm histórias tão parecidas. E que, no final, vão parar numa cuba de gelato.

É muito interessante ver também como o produto, por ser tão natural, leva esses gelataios à pesquisa de ingredientes, ao desenvolvimento de harmonizações inusitadas, à produção da melhor base possível para conduzir os sabores.

O gelato aceita tudo. E aqui está a arte do negócio. A linha entre o acerto e o erro, sabemos, é bem fina.

Andrea Bellucci sabe disso. E, certamente, a sua formação o ajudou a ter a mão leve tão presente nos gelatos que faz. A gelateria do casal se tornou um case em Fortaleza, com fãs de carterinha que passam por lá todas as semanas, para provar algum novo sabor. E depois, interagem com eles, comparando com outros gelatos que buscam pelo mundo todo.

 

 

O sucesso fez com que a Afra e o Andrea agora tenham uma filial no Recife e comecem a cultivar a cultura no gelato artesanal por lá também. O Brasil tem um oceano de possibilidades nessa área. Com os bons ventos, que o Andrea tanto adora, soprando a favor.

 

Escola de gelataios

Há 15 anos, fabricante de máquinas de gelato forma novos mestres em gelateria

Gelataio é o “chef” na gelateria. Mas como se tornar um? Como descobrir os segredos dessa ciência aparentemente simples, porém repleta de detalhes que fazem toda a diferença? Para resolver essas questões, a italiana Carpigiani criou a Gelato University, com o objetivo de propagar a produção de gelato artesanal pelo mundo. A empresa, hoje também no Brasil, promove cursos: básico, intermediário e avançado. Cada módulo custa em torno de R$ 1.200. Para saber mais acesse o site.

 

Bellucci Gelateria – R. Frederico Borges, 624, Meireles, Fortaleza – CE. Tel.: (85) 3039-7719

 

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