Exposição revela a paixão da artista Frida Kahlo pela cozinha -

Exposição revela a paixão da artista Frida Kahlo pela cozinha

Frida Kahlo e a paixão pela cozinha

Exposição com o figurinos e os objetos de Frida Kahlo faz sucesso em NY. Só um ítem desapareceu: seu secreto livro de receitas

Robert Halfoun - Publicado em 24/06/2019, às 15h00

Que mulher era a Frida Kahlo! Desde que a sua obra cheia de personalidade, como os quadros Frida y la cesárea (1931), Retrato de mi padre Wilhem Kahlo (1952) e Viva la Vida (1954), foi descoberta tardiamente e, mais ainda, o mundo conheceu a sua vida repleta de episódios de superação, virou mito. Há tempos símbolo de empoderamento feminino, uma vez que mandava na própria vida, a mexicana de Oaxaca atuou como militante comunista, praticou esportes “masculinos” como boxe e futebol, criou um estilo próprio extravagante, absolutamente transgressor para a sua época. Igual Frida Kahlo não há.

Por isso, cada vez mais aumenta a legião de fãs que fazem fila para ver exposições com as suas obras e agora também para conferir de pertinho toda a exuberância dos seus figurinos e objetos pessoais. Inaugurada no começo de fevereiro, no Brooklin Museum, em Nova York, Frida Kahlo: Appearances Can Be Deceiving (Frida Kahlo: as aparência podem enganar) reúne não só os icônicos vestidos que ela usava, mas também objetos pessoais desde retratos até os vidrinhos de esmaltes que ela usava.

Todo esse material ficou trancado a sete chaves, num dos cômodos da Casa Azul, onde ela morava com o marido e artista Diego Rivera, na Cidade do México.

Quando Frida morreu, em 1954, ele ordenou que tudo o que pertencia a esposa fosse guardado. Apenas em 2004 o material veio à tona e passou a fazer parte do acervo do Museu Frida Kahlo que hoje ocupa o que era a residência do casal. Apenas um item desapareceu: o Livro da Erva Santa.

Com capa negra e dezenas de páginas, ele reunia as receitas de uma pouco conhecida Frida Kahlo que buscava alívio para as suas dores da alma e do corpo na cozinha. Quando criança, ela foi diagnosticada com poliomielite e pouco depois teve o ventre atravessado por uma barra de metal, num acidente de ônibus.

O exercício diante das panelas a tornaram uma cozinheira de mão cheia. Seus pratos encantaram nomes como León Trotski, Pablo Picasso, Salvador Dali, Henry Miller, Anaïs Nin e Ernest Hemingway. Todos participaram de verdadeiros banquetes feitos por ela com moles, enchiladas, quesadillas e tamales e também as receitas que sempre fazia para celebrar o famoso Dia de los Muertos, uma das datas mais festivas no México.

A comida de Frida, assim como a sua personalidade, tinha sabores marcantes, cores fortes, como as das suas pinturas. Ela se orgulhava dos preparos: “Uma comida bem servida pode ser o mais fascinantes dos encantos”.

Diego Rivera que o diga. O marido fanfarrão e mulherengo era tão insaciável e glutão na cama, como na mesa. Ela era apaixonada por ele e suportava a infidelidade e falta de respeito de Diego. “Um jantar bem preparado é melhor que sexo. Você põe a coleira no seu homem pela cama ou pelos cozidos”, dizia.

No fim das contas, como se vê, esteve sempre no comando. Viva la Frida!

* A exposição Frida Kahlo: Appearances Can Be Deceiving esteve em cartaz até  maio no Brooklin Museum.

Leia também