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De mãos afiadas, a chef Tássia Magalhães faz do Nelita um dos melhores de São Paulo

Novo restaurante no Baixo Pinheiros é um italiano moderno, do jeito que a cozinheira gosta, e andava com saudades de fazer

Da redação - Publicado em 31/03/2021, às 12h00

A IDEIA DO BELO NELITA (em conceito, comida, decoração) nasceu dentro do charmoso, porém mais simples, Riso, o restaurante de arrozes da craque Tássia Magalhães.

Desde que saiu do saudoso Pomodori, referência de cozinha italiana, em São Paulo, onde ela despontou, Tássia andou meio quieta, até surgir com a grande ideia de levar para a sua fiel clientela, o que ela adora comer e faz direto na sua casa: arrozes.

 

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O resultado foi tão legal que as poucas mesas descontraídas da casa começaram a receber a tal clientela fiel que ia pagar caro, com vinhos idem, ao Pomodori. Essa turma queria algo mais acolhedor e também sentia saudades das massas inesquecíveis da cozinheira. Ela, por sua vez, começava a sentir aquela coceira em fazer algo mais sofisticado e mais autoral, me disse depois, muito focada nos produtores do Vale do Paraíba, de onde ela vem.

Pronto, nasceu o Nelita, na rua mais badalada do Baixo Pinheiros, o novo (nem tão novo assim) pólo-gastronômico da nossa capital da gastronomia.

 

 

 Eu tive a oportunidade de conhecer a casa, pouco antes do lockdown que nos assola, momento no qual escrevo essas linhas. Adorei! A casa é arejada, com pé direito bem alto, mesinhas na entrada e, mais ao fundo, um balcão largo e gostoso que envolve a cozinha aberta, onde fica a Tássia.

De lá saem mesmo coisas muito autorais, com apresentação e combinações de sabores raros de ver. A chef está com as mãos afiadas. O DNA é o italiano moderno que ela tanto adora e que a gente quase não vê sendo feito por aqui. O sotaque da Bota está no prato, mas as influências de ingredientes e, especialmente, de técnicas de cozinhas vêm do mundo todo – especialmente da França.

 

 

Durante a minha refeição, o passeio pelos aromas e gostos foi dos mais agradáveis, causando num cara experimentado como eu (ossos do ofício, com anos de janela) uma boa impressão muito além da média. Especialmente para um restaurante que acabara de abrir. É natural que, ao longo do processo, haja um amadurecimento do trabalho, ajustes naturais das receitas, das montagens. O comensal, claro, indica o caminho.

No caso da Tássia e do seu Nelita, fica muito claro que que estão aproados para uma estrada de sucesso. Com um serviço tão atencioso, com tratamento pelo nome do cliente, quanto eficiente.

Não sou de citar pratos, mas nesse caso, vale a pena.

Eu e a minha bela companhia começamos com a terrine de foie gras com purê e brunoise de maçã verde e mel e merengue de matcha. Então, dividimos o aspargos confitado com beurre blanc, lado e bottarga – ousado, não? A segunda entrada, especialmente, é divina, digna de nota (10! Nota 10!, diria Carlos Imperial, lembra-se dele?).

 

 

Já tomávamos o altamente recomendável LH Zanini Tinto 2013, antes dos pratos principais chegarem à mesa. O vinho é uma criação bem autoral do grande enólogo da Vallontano, Luis Henrique Zanini, a partir do corte de uvas passificadas Ancellotta, Tannat, Teroldego e outras castas em menor proporção.

Com grande manifestação aromática, ele tem presença marcante em boca, mas de consumo fácil, muito agradável (embora gastronômico, com acidez bacana, vai muito bem sem comida).

De volta aos pratos, fomos nas massas porque a saudade das que a Tássia faz gritou alto. Agnolotti com queijo de cabra Cablanca, molho de limão rosa confitado, favo de mel; pappardelle com ragu de bochecha de boi e polvo. Uau, que comida! Para terminar jabuticaba com iogurte, chocolate branco e coco e pannacota de frutas amarelas: bem leve, sutil. Melhor, no entanto, são os petit fours que vêm do Meg Market, a pâtisserie da Tássia, em outro lugar. E, sim, assunto para outra abordagem.

 

Nelita – Rua Ferreira Araújo, 330, Pinheiros, São Paulo – SP. Tel.: (11) 3798-9827

 

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