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Da gafieira ao balcão, o barista Leo Gonçalves traz cafés de excelência

Ex-dançarino garimpa os melhores grãos pelo Brasil para torrar e servir no Cafe ao Leu, sua loja no Rio

Pedro Landim - Publicado em 20/03/2021, às 15h06

Seleção Sabor.Club: O Café da Serra do Caparaó, uma joia do Espírito Santo, está na seleção atual do Sabor Clube.

Dos rodopios da gafieira ao salão da cafeteria, o barista Leonardo Gonçalves não deixou cair o ritmo. No Cafe ao Leu, sua loja carioca de Copacabana, ele apresenta a coleção de cafés de excelência pelo nome dos pequenos produtores, mas cita também um célebre compositor carioca da Mangueira ao falar de seu trabalho.

"O café é ao mesmo tempo simples e profundo, complexo, popular e requintado, como a música de Cartola, meu compositor preferido. A poesia te leva ao infinito", diz. E lembra que o músico aparece bebendo uma xícara de café com as cores da escola de samba na capa do disco Verde Que Te Quero Rosa, de 1977.

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A proximidade com a música brasileira tem explicação na vida de Leonardo, que foi dançarino profissional e professor de dança de salão antes de estudar Nutrição, e virar uma autoridade do bom café.

O baile agora é outro, e o barista viaja constantemente pelo Brasil para visitar cada fazenda e trazer os grãos que ganham formas finais na torrefação do Cafe ao Leu: "Meu foco é na relação com os produtores, pagando preço justo pelos melhores grãos, e estamos investindo na torrefação. Ela é muito importante na complexa cadeia do café".

 

 

Campeão brasileiro de Aeropress, o método de extração de café pela pressão do ar, Leonardo também apresenta o podcast Café Pode, no Spotify, abordando o universo da bebida em aulas e conversas com produtores e profissionais do mercado.

"Quem se acostuma com café especial não retorna para o comum. Nesse momento de volta por cima, as pessoas têm procurado o pequeno comércio e peneirado o que é bom".

 

 

Além de um café espresso de respeito, o Cafe ao Leu oferece a bebida pelos métodos Hario V60 e Aeropress, além do filtrado da casa feito na máquina Bunn VP17, que fica na garrafa térmica própria. Nas estações mais quentes do ano, fazem sucesso coquetéis como o Brew Verão, que leva suco de limão, água de coco e cold brew (infusão de café a frio), e o Cachaça Coffee, com espresso, cachaça, mel de flor de café, limão e gelo.

Grão mais famoso da casa é café de família

 

 

O Serra do Caparaó, do Espírito Santo, é um café especial, produzido por José Alexandre, a esposa Claudiana, e os filhos João Vitor e Ana. Todos são responsáveis pela qualidade do café premiadíssimo que fazem, em Dores do Rio Preto.

João Vitor ajuda o Zé na colheita e manutenção da lavoura, e Claudiana trabalha o pós colheita - sempre mexendo o café no terreiro. Nos intervalos, prepara a comida da família e cuida da manutenção da casa. A pequena Ana sempre diz que também quer trabalhar com café especial quando crescer.

O café deles é do tipo Catuaí Vermelho, que cresce a 1250 m de altitude. A cereja descascada, na xícara, revela doçura alta, corpo médio e acidez baixa, tudo muito equilibrado. Procure as notas de melaço de cana, frutas vermelhas e castanhas: a viagem é deliciosa.

 

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