Nina Horta marcou história com suas crônicas gastronômicas  -

Nina Horta marcou história com suas crônicas gastronômicas

As crônicas imortais de Nina Horta

A mestre Nina Horta se foi, ficam os seus textos eternamente inspiradores: “Esnoberia em matéria de comida é aberração”

Robert Halfoun - Publicado em 02/12/2019, às 13h00 - Atualizado às 13h21

Não é sopa

(Cia. Das Letras, 1995)

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A banqueteira que virou a nossa mais expressiva cronista da boa mesa via o mundo pela boca, com uma sabedoria e sensibilidade raras – encantadoras. No seu primeiro livro, logo mostra como seus textos divertidos, repletos de insights e bom senso pegam a gente de jeito. Fazem rir, fazem chorar, fazem... pensar!

Cozinha também é reflexão, é a história de cada um, é o que a gente vê, o que a gente vive. Pouco tem a ver com a afetação do “que incríiiiiivel”, publicado na efêmera legenda de foto no Instagram.

É também o dilema do que fazer com o caroço da azeitona à mesa; é a lembrança de uma viagem para a Índia, cuja gastronomia ela tanto adorava. São as particularidades da comida de rua, da função das galinhas nos filmes do Hitchcock, dos cafés da manhã de hotel, das receitas e sabores afetivos dos cadernos das avós.

Aqui, Nina Horta nos ensina demais nas crônicas para ler, reler e até mesmo consultar para, sempre, nos inspirar como poucos têm a capacidade de fazer.

O frango ensopado da minha mãe

(Cia. das Letras, 2015)

 

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Foi a Rita Lobo, discípula confessa da Nina Horta, quem selecionou as crônicas do livro, uma espécie de continuação do Não é Sopa, lançado dez anos antes.

 

Para a autora, o tempo é apenas um veículo para reunir mais vivências. Elas, mais uma vez, viram histórias, repletas de observações e sacadas deliciosas, o tempero que, definitivamente, nos faz cair de amores pela Nina. Ela, por sua vez, abre as páginas da vida dela, sem restrições, e conversa com a gente, fazendo revelações, como se fossemos grandes amigos, sentados numa “varanda mineira de poucas palavras e muita tosse”. Não bastasse tudo isso e as receitas que ela publica também, há algo de extrema relevância a ser dito a respeito do que Nina imprime nas páginas que escreve: que puta texto, senhoras e senhores. Vale um saquinho de torresmo, como ela diz, “que a Suely sempre fez, mas agora deu para acertar invariavelmente cada um deles”, quem não devorar as 280 páginas do livro, também com assuntos muito contemporâneos, numa bocada só. Sobre o porco, tão na moda, ela descorre: “Já inseriram genes de espinafre nele, mas não nos preocupemos: o porco é um sábio manso, já terá se desvencilhado do espinafre, esse terror da infância. Desaforo, senhores estudiosos, vão juntar genes de espinafre aos óvulos das senhoras suas mãezinhas. Deixem em paz o porco, esse poema”.

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*Esta reportagem foi publicada originalmente na revista Sabor.club #34, que está na melhores bancas por todo Brasil. E também na banca digital www.zinio.com.

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