O umbu é um dos frutos típicos do sertão brasileiro - Foto: Wkimedia Commons

O umbu é um dos frutos típicos do sertão brasileiro - Foto: Wkimedia Commons

A comida brasileira pelo mundo

O evento Terra Madre Salone del Gusto celebra diferentes alimentos do mundo

Da redação - Publicado em 30/01/2019, às 17h00

A cada dois anos, acontece em Turim, Itália, o maior encontro mundial dedicado ao alimento, o Terra Madre Salone del Gusto, promovido pelos Slow Food. Durante cinco dias, mais de cinco mil produtores, de 140 países, se encontram para trocar experiências, celebrar parcerias e debater sobre questões como agroecologia. O evento tem de tudo, da banana-maçã africana a conservas de caracóis francesa. Incluindo produtos do Brasil que tantos brasileiros não conhecem.

Waraná Sateré - Mawé

O guaraná é uma palavra derivada da língua indígena e significa “o início de todo conhecimento”. A planta hoje é semi-domesticada pelos Sateré-Mawé. Do fruto, é retirada a polpa e feita a torra das sementes. Elas viram bastões que são defumados e podem ser ralados e consumidos com água, sucos e xarope.

Mel de Abelha - Canudo Sateré - Mawé

No Brasil, existem mais de 300 espécies de abelhas nativas sem ferrão, o mel das abelhascanudo é o único e considerado silvestre. Como é produzido na Floresta Amazônica, é muito difícil saber exatamente quais foram as flores visitadas pela abelha durante a polinização – essa espécie é responsável por polinizar 80% da flora na Amazônia, incluindo o Waraná – principal caractarística no sabor do mel feito por ela.

Maracujá da caatinga

Em risco de extinção biológica e cultural, é uma fruta silvestre nativa da região do semiárido brasileiro que ocorre espontaneamente, ou seja, não é plantado. Ele é muito utilizado pela famílias do sertão baiano em sucos, geleias e compotas. A fruta tem casca verde (mesmo quando madura) e interior branco com pequenas sementes. É muito perfumada tem sabor ácido e doce.

Licuri

A palmeira solitária da Caatinga é símbolo das paisagens do semiárido baiano. Parte da dieta cotidiana das famílias da região e importante símbolo cultural, o manejo do Licuri é uma atividade das mulheres das comunidades, encarregadas da colheita até o produto final. O coco da fruta tem sabor doce e usado de diversas maneiras: torrado ou caramelizado, como granola, biscoito. Há também óleo e leite da castanha.

Umbu 

Euclides da Cunha dizia que o umbuzeiro é a “árvore sagrada do sertão”, capaz de armazenar 3 mil litros de água nas suas raízes. O fruto, redondo e de casca verde ou amarela, pode ter o tamanho de uma cereja ou de um limão. Ele é usado em diversas receitas e preparos, como geleias, cremes, marmeladas, compotas, vinagre e a tradicional umbuzada. Além dos frutos, é possível utilizar quase toda a árvore: a raiz produz tubérculos, que lembram batatas.

Gergelim Kalunga

É plantado na região do quilombo há mais de 300 anos, provavelmente trazido pelos escravos africanos. Hoje, a semente está incorporada em diversos preparos e receitas e pode ser consumida torrada, em forma de paçoca, na preparação de pães e bolos ou ainda em forma de óleo.

Mel de abelha - Mandaçaia da Caatinga

A espécie nativa produz um mel multifloral, de aroma persistente e intenso. É utilizado pela famílias para adocicar preparos, mas principalmente em tratamentos terapêuticos como as “garrafadas”. Em uma temporada com boa florada, cada família pode chegar a produzir até 1 e ½ litro de mel.

Castanha de Baru

Vem de uma das árvores mais emblemáticas do cerrado brasileiro, o baruzeiro. É consumida crua, torrada ou cozida, e utilizada em diversas receitas, como a paçoca, pães e bolos. O óleo de Baru é utilizado pelas famílias do centro-oeste como tempero.

Pequi do Norte de Minas

É um dos frutos mais conhecidos e consumidos do Cerrado brasileiro. Seja in natura, em conservas, em salmoura, congelado ou o óleo (extraído artesanalmente pelos produtores). Ele é usado como base para preparação de outros produtos, embora o pequizeiro seja hoje uma árvore ameaçada de extinção.

Cacau Cabruca do Sul da Bahia

O Cabruca é um tipo de sistema agroflorestal que permite a harmonia entre o cacaueiro e a biodiversidade da região. O cacaueiro é plantado entre as árvores nativas, sob a sombra delas. Dessa maneira, o cacau coexiste com mais de 200 espécies de plantas e animais, sem devastar a Mata Atlântica na região.

Butiá

Muito encontrado no sul do país, é utilizado na aromatização de cachaças e no preparo de licores. Da semente se faz pães e biscoitos. Da polpa são feitas geleias, doces e sucos e... picolé! Ele é um hit no verão local.

Farinha da mandioca dos Engenhos de Santa Catarina

A sua principal característica é o tipo de processo de rala que ela passa, obtendo um produto muito mais fino e leve. Ele acontece en engenhos criados a partir da miscigenação cultural entre indígenas e colonizadores europeus, há mais de 200 anos.

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