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Claude Troisgros e Laurent Suaudeau fazem encontro histórico em 'live' no Instagram

Chefs cozinham e falam sobre o futuro da gastronomia brasileira depois da crise

Pedro Landim - Publicado em 23/05/2020, às 18h00

São 40 anos de uma amizade que coincide com a história moderna da alta gastronomia no Brasil. Na noite de quinta-feira, Claude Troisgros recebeu Laurent Suaudeau para uma 'live' saborosa em seu perfil no Instagram.

Os dois chefs que chegaram ao Rio no fim dos anos 70 para trabalhar em pontas distintas da Praia da Copacabana, nos históricos Le Saint Honoré e Le Pré Catelan, lembraram de quando se conheceram e dos caminhos que abriram.

 

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Claude transmitiu de quarto no Rio, enquanto Laurent foi para sua cozinha em São Paulo preparar os ovos pochê no vinho de Paul Bocuse, o mestre francês que foi padrinho dos dois cozinheiros no início da carreira.

 

 

O papo foi regado a boas lembranças, histórias e risadas, mas também teve momentos de reflexões importantes para o futuro da gastronomia no Brasil.

Antes de apresentar o lindo prato que preparou, Laurent pediu a palavra para falar sobre a necessidade de se trabalhar de forma organizada para o desenvolvimento da gastronomia brasileira como uma 'escola' de referência para o mundo.

Ele sugeriu novos rumos de atuação para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), e ganhou muitos 'emojis' de aplauso de chefs presentes na transmissão como Emmanuel Bassoleil, Thiago Castanho, Luca Gozzani, Elia Schramm e Damien Montecer.

"Como diz a música do Cazuza, o Brasil precisa mostrar a sua cara. Além da gestão da crise, a Abrasel poderia criar um conselho de chefs para trabalhar em prol do desenvolvimento das diversas regiões do país,  com uma  centralização nacional. É algo que exige esforço da iniciativa privada e de políticas públicas locais", afirmou.

Segundo Laurent, a crise precede um momento de "menos glamour e mais pé no chão". O francês disse que a parada não programada é um momento oportuno para se refletir, e cobrou mudanças de atitude.

 

 

"Vemos muitos jovens chefs e um cenário diferente, que deixou de ser entre Rio e São Paulo. As antenas regionais estão ligadas e a hora não é de querer se projetar pessoalmente e dar show, mas de se unir pelo objetivo de apresentar para o mundo uma escola brasileira de gastronomia. Isso é um processo coletivo, como foi na França, na Espanha, ou no Peru".

Claude e Laurent disseram também que nunca cozinharam tanto na vida como na quarentena. Troisgros contou que está mergulhado em sua biblioteca, achando receitas antigas que não faz há tempos, e Suaudeau citou a berinjela à parmegiana como um dos sucessos caseiros. "Faço muitos legumes, a madame não me deixa comer o que eu gosto", disse, bem-humorado.

 

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