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Chef Thiago Rossetti cozinha e leva de bicicleta delicioso menu tailandês

Formado pelo Le Cordon Bleu, ele criou o Mar Mita para delivery de pratos que aprendeu em viagens ao oriente

Pedro Landim - Publicado em 11/02/2021, às 14h00

O INTERFONE TOCA E O COZINHEIRO está lá, de bermuda e camiseta, levando o sudeste asiático na garupa da bicicleta elétrica. O rolé apimentado pela Zona Sul leva a cada cliente os pratos do dia e continua pelas feiras e mercados, atrás do que está rolando de mais fresco para o dia seguinte. Porque ao nascer do sol ele já está na cozinha incendiando a panela wok, conferindo os pedidos no WhatsApp, fotografando e postando seus pratos cheios de cores no Instagram.

O papo com Thiago Rossetti aconteceu no portão do prédio onde este repórter mora, surpreso ao descobrir que era o próprio cozinheiro o portador de um almoço com bolinhos de milho apimentados e folhas thai, rolinhos de arroz com vegetais crocantes e molho vietnamita, e um jungle curry vermelho da Tailândia com frango, nabo e berinjela, pedido no grau máximo de pimenta - um perigo.

 

 

 

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Quem prova a comida fresca e sedutora do Mar Mita, a dark kitchen desse carioca bronzeado pelo sol das tardes sobre duas rodas, entende aquilo que jamais suspeita quem o vê descendo da magrela: o cara é formado no Le Cordon Bleu de Londres, tem mais de 10 anos de trabalho em restaurantes e hotéis de luxo na Europa e rodou pelo Oriente, da Índia ao Japão, para aprender os segredos das cozinhas que mais alto lhe falam ao coração.

“Tivemos na virada do século uma explosão da comida japonesa no Brasil, e meu trabalho segue o sonho que o mesmo aconteça com o curry e a comida do Sudeste Asiático. Tem tudo a ver com países tropicais e traz saúde, com os gengibres, pimentas e especiarias, todos termogênicos e fortalecedores da imunidade”, diz Thiago.

O manifesto é justo, principalmente numa cidade como o Rio, carente de bons cardápios asiáticos, em que pese o conhecido paladar conservador de carioca, felizmente, um pouco mais aventureiro a cada dia. É por isso que o cozinheiro resolveu processar brasilidades, buscando influências de lugares que visitou e admira em nosso litoral.

 

 

“Viajei por países como Índia, Nepal, Laos, Vietnam, Tailândia e Cambodja, e minha cozinha se baseia nos últimos três. Mas tenho que fazer adaptações de paladar para o serviço de delivery que criei, sem nunca abrir mão das técnicas e dos ingredientes mais importantes que estão na alma das culturas de origem.”

Misturar não foi exatamente opção, mas necessidade. E quer saber? Fez muito bem à culinária de Thiago, em seu conjunto de ilhas inspiradoras. Do Golfo da Tailândia à Costa Verde fluminense, da Ilha Grande a paraísos baianos: há um toque de dendê perfumando o arroz de Boipeba, de lula e siri, refogado com pasta de curry amarelo, leite de coco, molho nam pla, molho de ostras e coentro.

 

 

O cássico pad thai é o melhor da praça e tem o DNA de Bangkok, com o toque da pasta de tamarindo feita em casa. O macarrão de arroz leva também ingredientes como camarão, ovo, pasta de camarão, cebola, cebolinha, tofu e amendoim.

As viagens de sabor de Thiago começaram quando ele se mandou para a Itália e arrumou emprego de garçom, cumprindo a trajetória dos que se apaixonam pelos restaurantes com determinação. Tornou-se cozinheiro em Roma e Milão, se formou na Inglaterra e trabalhou em hotéis de luxo como o Savoy, mítica cozinha que abrigou o francês Auguste Escoffier, antes de virar o chef da embaixada brasileira em Londres. De volta ao Brasil, comandou ao lado de outros chefs uma equipe de mais de 500 cozinheiros servindo às delegações asiáticas nas Olimpíadas do Rio.

“A pandemia atravessou projetos, paralisou atividades e resolvi criar o meu negócio em casa. Faço tudo sozinho e de forma artesanal, e cozinho também na casa das pessoas. Gosto de conhecer os clientes e tenho anotado o gosto de cada um para o nível de pimenta”, diz Thiago, antes de subir na bicicleta para fazer felizes mais alguns admiradores de uma culinária que não admite a diferença. Até logo.

 

Tailândia em casa

Menus fixos traz surpresas dependendo dos produtos frescos do mercado

 

De entrada há opções como a salada de mamão papaia verde com brotos, e o omelete de siri com legumes crocantes enrolado na folha de arroz.

Os pedidos são feitos no dia anterior à entrega, mas as filas costumam exigir reservas com alguns dias de antecedência para se ter à mesa pratos de perfeita execução como o curry amarelo de berinjela tostada na wok com leite de coco e arroz jasmine, delícia vegana. Ou um lindo curry verde de jaca com vagens e folhas de manjericão roxo. Para ver mais – e fazer pedidos! – acesse @mar.mita.rio, no Instagram.

 

 

 

Amarelo, verde ou vermelho?

Não é sinal de trânsito, mas o grau de picância no trio de curries tailandeses

 

Antes de começar, é preciso dizer que os curries tailandeses têm preparo diferente dos indianos. Thiago ensina: “Eles são pastas à base de cebola, alho, gengibre e pimentas, socadas no pilão de pedra. O indiano são especiarias moídas, como pó, entrando às vezes mais de 40 ingredientes”. E quanto às cores? “O verde é o mais picante, eu gosto com vegetais, o amarelo é mais suave e aparece com frutos do mar, e o vermelho, itermediário, uso mais para as carnes”.

 

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