A criatividade é a grande marca das cervejas do grupo Three Monkeys -

A criatividade é a grande marca das cervejas do grupo Three Monkeys

Cerveja para comer? Elas têm ostras, suco de tomate e até curry!

Três cariocas agradam ao adicionar ingredientes inusitados na bebida

Da redação - Publicado em 27/12/2019, às 09h00

Os almoços caprichados feitos pela mãe de Bernardo, exímia cozinheira, fazem parte das melhores lembranças que o Leo Gil guarda dos tempos de colégio, época em que o amigo era uma espécie de irmão mais velho, e a parceria era cultivada na base da santíssima trindade surfe-rock-futebol. O interesse pela gastronomia nasceu ali, mas nem nos sonhos mais estranhos da adolescência a dupla poderia imaginar que um dia não apenas fabricaria cerveja, mas levaria aos tanques uma mistura de ostras frescas batidas com limão e tinta de lula. Ou tomate e pepino. Quem sabe curry e leite de coco?

Na extensão dos limites criativos que pauta cervejarias artesanais no mundo inteiro, os rapazes da Three Monkeys pularam a cerca e colocaram a comida, por assim dizer, dentro da tulipa. O rebuliço foi grande na última edição do festival Mondial de La Bière no Rio. Entre sobrancelhas arqueadas, narizes torcidos e salivação intensa, ninguém passou indiferente pelas torneiras abertas por Leo Gil, Bernardo Costa e Filipe Oliveira, os ‘três macacos’ da história.

 

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As latas de 473 ml que estão chegando ao mercado têm a curiosidade de estampar fotografias dos ingredientes nos rótulos, produzidas numa tarde de feira livre pela equipe da Three Monkeys

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“A ideia era ter o sabor impactante, com o máximo de extração dos ingredientes. Então eles foram inseridos o mais perto do envase possível”, conta Bernardo, o cervejeiro da turma. “Abrimos as ostras em cozinha industrial, colocamos no gelo e levamos para a fábrica. Trituramos no liquidificador com a tinta de lula e o limão, e dosamos no tanque. No final do processo, centrifugamos para retirar os pedaços dos alimentos”, explica, citando a receita da Al Mare. O resultado, na boca, é a exata sensação de se estar bebendo ostras frescas, com as cócegas da carbonatação.

É apenas o início das surpresas guardadas pela série de cinco doses degustadas em sequência pela Sabor.Club. Produzidas seguindo o estilo alemão Gose (veja quadro), as cervejas abrem novas portas na estreita relação da bebida com a comida, levando as chamadas harmonizações por complementação a outro patamar.

A Honey Dijon, como diz o nome, é o próprio molho de mel e mostarda. Deu vontade de beber ao lado de um rosbife com batatas coradas. A Thai Curry traz curry, especiarias e leite de coco. Pensamos num filé de peixe grelhado com camarões, que ganhariam o status de moqueca no casamento. Ou, quem sabe, um clássico Pad Thai. A Gazpacho vai de tomate e picles de pepino, belo aperitivo para início de refeição. E a Oriental dá vontade de debruçar sobre um barco de sushis, com um latão da cerveja feita com shoyu, wasabi e gengibre.

“Os ingredientes tinham que ser bem selecionados e de qualidade. Usamos shoyu importado japonês, mostarda francesa, o mel é de um pequeno produtor, o curry é tailandês e as ostras de fazenda em Santa Catarina”, diz Bernardo. “Em nossa linha high end não vamos deixar de seguir o propósito da quebrar barreiras. Pensamos em eventos com chefs, que ajudem as pessoas a entender as cervejas”, diz Leo Gil, que cuida do marketing na empresa. “Em 2018, fizemos para o evento Repense Cerveja a Caramel Salé, uma Gose caramelada com o sal típico do estilo. Ficou muito boa. Resolvemos tentar de novo e fomos para a Gazpacho, que abriu a porteira.” Da cozinha, no caso.

www.threemonkeysbeer.com

Tempero alemão

O estilo Gose é o veículo para tanta criatividade

Natural de Goslar, no nordeste da Alemanha, a Gose é uma cerveja de trigo leve e ácida, bem carbonatada e com toque de sal na receita histórica. No caso das cariocas, todas foram feitas sobre a mesma base, com 4,6% de teor alcoólico. Produzidas desde a Idade Média, populares no século 18 na região de Leipzig, e praticamente desaparecidas, as Gose renasceram nos últimos anos pelas mãos dos cervejeiros artesanais. Primas-irmãs das Berliner Weisse, são cervejas que utilizam pricipamente maltes de trigo, acidificadas através de lactobacilos. Na tradição, levam também sementes de coentro, como as Witbiers. Apesar da origem no frio, o estilo tem características refrescantes e matadoras da sede, adequadas aos trópicos. Agora, pelo visto, está matando também a fome.

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Este texto foi publicado originalmente na revista Sabor.club #34 que está na melhores bancas por todo Brasil. E também na banca digital www.zinio.com. 

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