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Cerveja no barril ganha novos sabores e bichos estranhos na fermentação

A história da bebida guardada na madeira começou com os celtas na antiguidade

Pedro Landim - Publicado em 11/06/2020, às 11h16

Cervejeiros e artesãos de mão cheia, foram os celtas que inventaram os barris de madeira, disseminando a tecnologia no primeiro milênio depois de Cristo para a guarda e o transporte de tudo o que se possa imaginar.

Ao longo de sua história, a cerveja costumava viajar em barris revestidos de betume nos navios, para evitar a adulteração em contato com a madeira.

Pois esse contato é justamente o que hoje buscam as cervejarias artesanais, para extrair dos diferentes tipos de madeira seus sabores, e também, em casos mais extremos, permitir a ação de micro-organismos como as leveduras 'selvagens' Brettanomyces, presentes em determinadas barricas.

O caminho e as pesquisas estão no início, mas há muita coisa boa nas prateleiras para os brindes.

 

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Amburana Lager - Way, PR

Criada para ressaltar as características da amburana. Sem aromas expressivos da fermentação, essa lager escura e de alto teor alcoólico traz maltes tostados para o aporte notável de sabores da madeira. (8,4%)

 

Black Anthrax Double Barrel - Quatro Graus, RJ

Para o êxtase dos fãs das imperial stouts, essa bomba negra, densa e aquecedora traz sabores de chocolate escuro, café expresso e baunilha, que ganham complexidade após a maturação por 6 meses em barril de carvalho, e mais 8 em outro que foi de whisky. (16%)

 

Bruges Amburana - Cevaderia (RJ)

Se já não se encontram muitas belgian pale ales na produção nacional, essa aqui ainda levou amburana, em série da cervejaria que inclui outras madeiras na mesma base. Às notas frutadas da fermentação, a amburana acrescenta toques de canela e baunilha. (6,1%)

 

Cacau IPA Wood Aged Bodebrown - PR/Stone Brewing, EUA

Quem acha que a linda american IPA com cacau feita em Curitiba não pode melhorar deve procurar nas torneiras a versão no carvalho. Notas de baunilha e madeira tostada reforçam o caramelo dos maltes e a boca festeja, perfumada em lúpulos cítricos. (6.1%)

 

Duchesse de Bourgogne - Verhaeghe, Bélgica

“Borgonha da Bélgica”: eis um apelido certeiro para a elegância dessa flanders red ale, um ícone cervejeiro imperdível. Com caráter vínico, traz blend de envelhecimentos por 8 e 18 meses no carvalho. Espere acidez de aceto balsâmico, cereja, madeira e muita saliva. (6,2%)

 

Gasoline Soul - Morada Etílica, PR

Lascas de barris de carvalho utilizados para os bourbons americanos entram na maturação da cerveja de corpo elevado com a adição de aveia, concentrando aromas maltados de caramelo e frutas secas, enriquecidos por baunilha e notas defumadas. (6,7%)

 

Ginga De La Boe - Thirsty Hawks, RJ/Cuesta, SP

A dupla de cervejarias apresenta a sua envelhecida em barril de carvalho por onde passou gin inglês. Notas de zimbro e outras especiarias trazem lembrança viva do destilado, com aromas de frutas escuras e alta complexidade. (6,5%)

 

Sour Blond Sassafrás - Treze, SP

Fronteira a ser desbravada, os barris de cachaça surgem com a madeira sassafrás da cachaçaria paulista Pardin. O quadro aromático parte de uma belgian blonde acidificada, ampliando a pegada cítrica no contato com o barril que traz especiarias quentes e apimentadas. (7%)

 

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