Carole Crema é uma das primeiras confeiteiras a explorar o chocolate rosa em suas receitas no Brasil -

Carole Crema é uma das primeiras confeiteiras a explorar o chocolate rosa em suas receitas no Brasil

Carole Crema e o chocolate rosa

Frutado e com um toque de acidez, o novo ruby intriga e desafia craques como a confeiteira

Patrícia Oyama - Publicado em 27/09/2019, às 08h00

Até os confeiteiros mais acostumados a experimentar novos ingredientes ficaram surpresos com a novidade: um chocolate com sabor diferente de todos os outros. E rosa, ainda por cima! A última vez que algo parecido aconteceu foi há mais de 80 anos, com o lançamento do chocolate branco (que para os mais puristas não poderia ser chamado de chocolate, por não conter massa de cacau, somente a manteiga). Pois eis que agora, além dos três tipos conhecidos (meio-amargo, ao leite e branco), o mundo tem uma quarta opção de chocolate: o ruby, naturalmente cor-de-rosa e com toque frutado.

Desenvolvido pela empresa Barry Callebaut, sediada na Suíça, o revolucionário chocolate foi anunciado oficialmente em meados de 2018 e chegou ao mercado brasileiro no início do ano. A cor característica não é resultado da adição de corantes ou de outros ingredientes: de acordo com a Callebaut, ela vem das amêndoas de cacau utilizadas na fabricação, provenientes do Brasil, do Equador e da Costa do Marfim, que exibem uma tonalidade rosa-arroxeada.

Veja também:

Como apreciar um bom chocolate?

10 dicas para fazer bombom em casa

Chocolate: o doce que fez história no Brasil

[Colocar Alt]

Para Carole Crema, uma das primeiras confeiteiras do país a criar receitas com o novo chocolate, ele tem uma acidez que remete ao iogurte. “É um chocolate de personalidade forte, tem presença. Não é como o branco, que funciona mais como um veículo para outros sabores.” Muita gente diz que o ruby tem um quê de frutas vermelhas, mas Carole discorda. Talvez, acredita, essa associação seja em função da cor do chocolate: “Sinto mais uma acidez de fermentado”.

Em seus testes, a chef percebeu que o ruby nem sempre combina com parceiros tradicionais dos outros tipos de chocolate. O casamento com rum, por exemplo, não deu liga. Nem com avelãs ou maracujá. Por outro lado, ele fez par perfeito com a pipoca de arroz selvagem e com a combinação de cranberry e raspas de laranja – ingredientes que foram incorporados às barras de ruby que ela já colocou à venda. Atualmente, a confeiteira está testando um bolo em camadas com o chocolate rosa – e nesse caso, sim, ele vai contar com o sabor das frutas vermelhas, que serão incluídas na receita.

Harmonizações à parte, o ruby não é um ingrediente temperamental: “É um chocolate muito legal de se trabalhar, tem fluidez, estabilidade e um aroma delicioso”, diz Carole. Requer apenas um cuidado extra: com a exposição prolongada à luz, a cor vai se esvaindo. Por isso, deve ser guardado bem protegido da claridade, avisa a chef.

Carole Crema – R. da Consolação, 3161, Jardins, São Paulo – SP. Tel.: (11) 98392-3169

“Não tenho nada a ver com tom pastel”

Há 17 anos no mesmo ponto, nos Jardins, em São Paulo, Carole Crema brinca que é praticamente uma vereadora naquele pedaço. Esse envolvimento com o dia a dia do bairro foi um dos motivos que levaram a chef a incluir uma ampla janela na última reforma da loja – através dela, os clientes podem fazer os pedidos diretamente da calçada. O lugar ganhou também vibrantes azulejos amarelos, por dentro e por fora. “Adoro cores fortes. Não tenho nada a ver com tons pastel.”

 

Este texto foi publicado originalmente na revista Sabor.club #29 que está na melhores bancas por todo Brasil. E também na banca digital www.zinio.com. 

ASSINE JÁ A REVISTA SABOR.CLUB. DESCONTOS DE ATÉ 76%

Leia também