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'Champanhe do Piauí', a cajuína é uma delícia cantada por Caetano Veloso

Docinha e com uma acidez instigante, a bebida que vem do caju é servida gelada e uma ótima ideia para drinques refrescantes

Da redação - Publicado em 17/09/2020, às 14h00

Caetano Veloso chorava quando Seu Heli, o pai do poeta Torquato Neto, lhe ofereceu um copo de cajuína, para acalmar a dor que compositor sentia, ao sentir a falta do amigo (e um dos criadores da Tropicália) que se suicidara, em 1972. Em seguida ganhou uma rosa e a emoção deu origem a uma das suas mais belas canções.

Ela só faz chamar atenção para a cajuína cristalina de Teresina, como diz a letra, a bebida deliciosa, feita por lá desde sempre, a partir da clarificação do suco de caju. E mais nada. Não tem açúcar senão o da fruta, não tem aditivos químicos. É puríssima.

 

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A preparação começa com o suco de caju e a separação do tanino existente no fruto com a adição de um agente precipitador. Antigamente, quem fazia esse papel era a resina do cajueiro; hoje é a gelatina em pó. Em seguida, a mistura é coada várias vezes em redes ou funis de pano. O suco clarificado é então cozido em banho-maria, já em garrafas de vidro, até que seus açúcares sejam caramelizados.

Quem já bebeu a cajuína bem geladinha não esquece. Os piauienses tomam mais do que qualquer outra bebida, tanto que o estado produz quase 5 milhões de garrafinhas por ano. Há das mais diversas marcas, cada uma com um toque único, dentro de uma mesma essência, como diferentes rótulos de vinho de uma mesma casta.

Sempre, a cajuína é pouco doce, com uma acidez fascinante, que faz a gente salivar só de pensar nela. Normalmente vai para o copo já refrigerada mas fica ótima também com cubos de gelo e, mais ainda, com gelo triturado.

Mais um uso sensacional é na preparação de drinques. O pouco açúcar e o azedinho a fazem perfeita para tal. Quer um exemplo simples? Acrescente uma medida de cajuína no seu gim-tônica, coloque um raminho de alecrim e... saúde!

 

Champanhe do Piauí

A cajuína é tão típica do estado que deveria ganhar selo com Denominação de Origem

O Iphan reconhece que a cajuína, o seu processo de preparo e tudo o que está em torno dela é Patrimônio Cultural Brasileiro. A bebida nasceu nas mãos dos índios e o seu preparo é descrito como um ritual, no qual ela era servida a todos os integrantes da tribo. Os portugueses a batizaram de cajuína porque, mais tarde, era produzida apenas pelas mulheres.

[Colocar Alt]

Cajuína - Caetano Veloso (Cinema Transcendental, 1979)

Existirmos: a que será que se destina?

Pois quando tu me deste a rosa pequenina

Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina

Do menino infeliz não se nos ilumina

Tampouco turvase a lágrima nordestina

Apenas a matéria vida era tão fina

E éramos olharmonos intacta retina

A cajuína cristalina em Teresina

 

 

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