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Café mineiro do Cléber encanta europeus da Nestlé e acaba, ainda bem, na nossa xícara

Grãos vêm de agricultura familiar e sustentável em São Sebastião do Paraíso, e geram bebida excelente para o dia a dia

Da redação - Publicado em 22/02/2021, às 14h00

Seleção Sabor.Club: O café 'Origens do Brasil' é um dos produtos selecionados pela curadoria da Sabor.Club para o Sabor Clube.

Há certas histórias que a gente não encontra duas vezes. E você está prestes a ler uma delas.

O Cleber Marques produz café de qualidade desde sempre, no Sítio Santos Reis, nos arredores dos bairros Marques e Machados, em São Sebastião do Paraíso, Minas.

A região é conhecida pelo café que sai dali, fama conquistada pelas mãos de gente com o avô do Cléber, o Seu João Pereira de Souza, e pelo pai, Jaime de Souza, o Jaime dos Marques, que acabou herdando o “sobrenome” do bairro do tanto que o povo procurava o café dele.

 

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Até que um dia, nem faz tanto tempo assim, uns gringos passaram por lá, perguntando pelo produtor de umas sacas que chegaram na Europa, por meio de um exportador que compra lotes de sítios como o do Cléber e vende para o mundo afora.

Nessas andanças, os grãos do tipo arábica do mineiro foi parar na Nestlé, na Suíça, bem na hora em que a empresa pensava em dar um passo além do Nescafé que conhecemos e entrar no mercado com uma linha de mais qualidade, para coar, muito além do “solúvel” que explodiu mundialmente nos anos 1940.

 

 

Bem, o tal café de qualidade eles já sabiam de onde vinha. Mas era preciso ver se é produzido de acordo com os padrões da plataforma de sustentabilidade da empresa.

É para isso que os “gringos” chegaram a São Sebastião do Paraíso e foram visitar o Cléber. Lá encontram uma agricultura familiar, feita de forma realmente sustentável, pela Lívia Marques, agrônoma e mulher do Cléber, e pelo Seu Antônio Adolfo de Souza, o sogro dele, responsável por fazer o beneficiamento da propriedade.

São João do Paraíso fica no norte de Minas Gerais, na microrregião de Salinas, próximo à divisa com o estado da Bahia, acima dos 100 metros de altitude. Cafezal gosta da alta montanha, lugar onde cresce confortável e produz cafés admiráveis.

Os do Cléber, assim como o de outros produtores familiares da região, têm característica encorpada, com as notas de frutas vermelhas que encantaram os suíços. Ao proválo, com torra média, percebemos, no entanto, que a sua principal virtude é o equilíbrio entre a força e a acidez, o que o faz um café realmente gostoso de tomar.

 

 

Você é cafezeiro? Gosta de tomar café? Nem pense em comparar o Origens do Brasil, com lotes pequenos, vendidos a peso de ouro, no mercado de cafés especiais. Mas, olha, ao coá-lo (melhor meio para preparar os grãos vendidos já moídos paraisenses), a gente encontra um café honesto, agradável de beber, com surpreendente residual de sabor em boca.

É, definitivamente, muito adequado para o dia a dia, sem raio gourmetizador (aquele que quer transformas o simples e gostoso em gourmet – como o queijo mineiro, que existe desde sempre), ótimo para acompanhar um pãozinho com manteiga, um pedaço de bolo de fubá...

 

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