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Cachaça que faz sucesso nas festas do Copacabana Palace vem do tempo de Estácio de Sá

Ela é a protagonista do Rubro Negroni, versão do drinque com licor de cana e polpa de pitanga

Pedro Landim - Publicado em 31/01/2020, às 16h29

A casa da Sete Engenhos, em Quissamã, Rio de Janeiro

Há quem diga que depois de enxotar os franceses da Baía de Guanabara e fundar o Rio de Janeiro, o português Estácio de Sá festejou com aquela que matou o guarda. A marvada, por assim dizer, que pingava nos alambiques da Ilha dos Sete Engenhos, futura do Governador. A família Barcelos se instalou ali na época, plantando cana de açúcar e fabricando o aguardente brasileiro que causaria um furdunço no século 17: a Revolta da Cachaça.  

O que nem embriagados poderiam supor os integrantes do clã, que enfrentaram a corte portuguesa na luta pela liberação da bebida, é que quatro séculos depois a pinga da família seria tema de um balcão de drinques na piscina do Copacabana Palace. Ou titular das caipirinhas no comentado Bar do David, em plena favela do Chapéu Mangueira. A cachaça Sete Engenhos uniu as pontas da cidade num fenômeno de mercado que conquista bartenders e restaurateurs à primeira talagada.  

“Acho que houve uma confabulação de meus antepassados no céu, além de algo que vem no sangue pela genética”, diverte-se Haroldo Carneiro da Silva, integrante da 14ª geração da família e nome por trás da ressurreição do aguardente no engenho da fazenda São Miguel, de Quissamã, no litoral norte do estado.  

“Dos seis estrelados Michelin no Rio, três utilizam nos drinque a nossa cachaça, que está no Lasai, Mee, e Oro. Cuidamos de cada detalhe na produção, e acredito que nosso terroir também influencie no produto final, como já disseram especialistas.”  

Haroldo conta que os Carneiro da Silva que lhe deram o sobrenome se uniram aos Barcelos através de um casamento no século 18, quando as terras da Ilha foram trocadas pelas de Quissamã. O engenho chegou a ser o maior do Brasil, viveu ciclos distintos e fechou as portas em 2002, para reabrir oito anos depois sob o signo da cachaça boa e sustentável, com o subproduto da fabricação virando adubo orgânico aos canaviais. 

A linha atual tem quatro rótulos que passam por barris de carvalho, bálsamo, amendoim e cerejeira, com todas as madeiras reunidas na Sete Engenhos Especial, projeto que começa com dois anos de envelhecimento no carvalho. "Tem o coco queimado e a baunilha do carvalho, o exotismo e a canela da cerejeira, a picância do amendoim e o toque herbal do bálsamo", define Haroldo.  

É com ela que o bartender da Sete Engenhos, Pedro Barros, cria drinques com frutas locais como a pitanga, estrela do Rubro Negroni, onde entra também Campari e a Meladinha, bebida feita com cachaça e melado da fazenda.  


 

Dormindo com a marvada 

Destilaria recebe hóspedes na sua fazenda 

Grupos com mínimo de 10 pessoas podem se hospedar na sede centenária da fazenda, conhecer de perto a produção, degustar cachaças e drinques feitos com frutas como pitanga, coco, limão galego e a exótica camboim, e participar de um almoço delicioso com receitas antigas da família. Há bons passeios pela região, como a visita ao belíssimo Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Informações e reservas pelos telefones (22) 2768-1127, ou e-mail: contato@engenhosaomiguel.com.br. 


 

Meladinha? 

A ideia de aproveitar o melado de cana orgânico produzido na fazenda para a produção de uma bebida mais leve, e com entrada no público jovem, resultou na Meladinha, aguardente composta que surgiu com jeitão de licor e 24% de teor alcoólico. É ótima para drinques, adoçando de forma natural, e também um aperitivo delicioso, para ser bebido bem gelado.