- Barbara Lopes

Barbara Lopes

A baiana do acarajé

Em tempos tão confusos, até o nosso patrimônio cultural anda sendo ofuscado por quem faz o chamado “bolinho de Jesus”

Nina Bitar - Publicado em 05/07/2018, às 14h07

O RITUAL DA BAIANA É SEMPRE O MESMO: em casa faz a massa de feijão-fradinho e os complementos do acarajé – vatapá, caruru, camarão seco e salada de tomate. Cada baiana tem uma receita para eles, porém, o que invariavelmente aparece em todas as receitas é o azeite de dendê em grandes doses. 

Na rua, a massa é batida, faz-se o bolinho, temperado com cebola e sal. Depois ele é frito no azeite de dendê, tem o óleo escorrido e, bem sequinho, é cortado ao meio e recheado.

Num final de tarde, um bom ponto vende dezenas por dia. Afinal, o nosso acarajé é o bolinho de santo que virou quitute e meio de sobrevivência para um sem número de baianas espalhadas por todo o país.

Sim, porque baiana do acarajé não precisa estar na Bahia e nem ter nascido por lá. Em 2004, o “ofício das baianas de acarajé” foi registrado como patrimônio imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Trata-se do reconhecimento da relevância social e cultural do trabalho, num momento, digamos, conturbado culturalmente.

Com o crescimento da igreja evangélica, contrária às religiões africanas, o acarajé, quem diria, virou “bolinho de Jesus”, na porta dos templos. Lá, as “baianas evangélicas” tentam dissociá-lo das religiões afro-brasileiras, expondo a Bíblia no tabuleiro como um demarcador da diferença.

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